Muito mais que antes, dessa vez senti o clima de fim de festa, de fim de espetáculo. Ensaiamos, corremos, vestimos e desvestimos; brilhamos! E após tudo e mais um pouco senti como é acabar o espetáculo, como é tirar as fantasias e voltar a ser você e não mais o personagem, e não mais a dança. O camarim quase vazio, só mais alguns artistas restaram para trocar as fantasias e não havia mais tantos gritos e tantas pessoas e roupas e máscaras e mais e mais.
Foi diferente, antes não havia sentido essa sensação, talvez porque não tenha voltado ao camarim depois de as cortinas fechadas, havia ido lá enquanto o espetáculo ainda estava rolando, ainda havia correria, nervosismo.
Mas dessa vez fui de verdade uma artista e senti o peso da responsabilidade de fazer o espetáculo realmente brilhar. Mas por fim, acabou.
Mas veja, acabou o espetáculo, não os artistas. E unidos, todos nós, corremos, uma ultima corrida antes de sair do teatro, e gritamos todos juntos como se fossemos uma só pessoa, um só coração; porque a tensão, a concorrência nos uniu e fez de nós uma família e quando esperamos o resultado esperamos como uma família, não só como artistas individuais, mas como uma família de artistas.
E conseguimos, com as mãos unidas esperamos e a cada vitória gritávamos como se estivéssemos ganhando na loteria, mas afinal, realmente estávamos recebendo o troféu por nossos esforços.
E quando perdíamos, estávamos todos lá para acreditar que a próxima seria uma vitória e tantos pensamentos unidos conseguiram novamente nos dá uma vitória e gritávamos.
E o que passou foi ótimo, mas acabou o espetáculo, acabaram os ensaios para este espetáculo, mas não há porque se preocupar ainda há outro espetáculo e a família voltará a se reunir, a ensaiar, a se esforçar e ao final, brilhar.
Por isso, não vá, as cortinas voltarão a se abrir, a estrela ainda não se apagou e não há de apagar pois sempre há um novo espetáculo e os artistas voltam para sua corrida.
Wait. The curtains will still open.

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