sexta-feira, 15 de abril de 2011

De pedras à flores


Chegamos lá havia pedras e terra, uma terra opaca e sem vida. De verde apenas aquela caramboleira e um coqueiro, os dois sem cuidados, sem brilho. Olhamos e nada vimos à não ser um lugar descuidado. Não era um abrigo, uma fonte de paz. 
Então, Decidimos...
Aqui e ali reformamos, do lado de lá e do lado de cá procuramos e achamos mais e mais pedras. E então, onde antes apenas havia o amarelo opaco de pedras e a terra sem vida, pingamos uns pingos de verde, aqui e acolá.
Não, não era muito. Mas seria.
E de repente, girassóis!
Pintamos de verde e amarelo, e dessa vez um amarelo magnífico, onde nunca se imaginaria nem sequer sem as pedras.
E mesmo com girassóis enormes quase, sem qualquer exagero, do meu tamanho, não nos contentamos. Sabe como é né? Família de leitores, de escritores e, mais que isso, de grandes sonhadores.
Só o que faltava era uma inspiração, e quando ela veio, imagine o trabalho! Todas as pedras que tínhamos conseguido tirar, colocamos de novo e reformamos outra vez. Quebramos aquela regularidade de linhas e ondulamos os limites.
Trocamos o verde e amarelo por toques de várias e várias cores.
Tivemos que trocar os girassóis de lugar e a principio eles não ficaram felizes, mas já estávamos ali, teríamos que continuar.


E continuamos e logo nota-se que a tristeza temporária dos girassóis não foi nada comparada a alegria que trouxe várias e várias flores juntas. 
Pouco a pouco brotava a vida, surgia o verde, construía-se um abrigo, fazia-se paz.  
 E as rosas! Ah , as rosas! Uma das minhas preferidas, e se olhasse do ângulo certo e no lugar certo dava para sentir um certo ar de conto de fadas perto delas. As rosas brancas e as vermelhas logo atrás, com aquele solzinho de final de tarde e fadinhas bem pequenininhas voando ao redor.

Quantas plantas cultivamos! Cada uma com seu toque especial, com sua característica marcante: uma com um cheirinho gostoso de limão, outra com folhas escarlates; havia ainda a com flores violetas que só abriam quando o dia estava chegando ao fim e que soltava uma aroma adocicado delicioso! Tinha aquela sem cheiro e sem complexidade, mas linda ainda assim: singela.
E lembra daquela caramboleira lá com seu amigo coqueiro? Podamos e cuidamos de cada um deles, a caramboleira nos deu carambolas bem amarelinhas e doces, apesar de nem ter comido tantas assim e o coqueiro nos deu cocos doces e refrescantes!
E com tantas e tantas mudanças era impossível reconhecer aquele lugar cheio de pedras e de terra opaca. Como iríamos imaginar que um dia sentaríamos no meio do quintal?!
Onde eram pedras colocamos seixos branquinhos, onde nada havia fizemos uma passagem com pedaços arredondados de madeira e logo quem não o conhecesse nunca saberia como era antigamente aquele quintal.
E quantos momentos bons, quantos momentos ótimos passamos nele! Risos, jogos, livros, amigos, músicas... paz!


Ali, à sombra daquela caramboleira, antes descuidada, vinham-me ideias, vinham-me palavras, vinha-me paz! Tornou-se meu cantinho. Era eu que todas as noites regava cada uma daquelas plantas, que molhava cada canto do nosso amado jardim. E ao lembrar disso me vem a mente a Geração de Girassóis Aline... foi assim que a nomeamos, seria uma das nossas mais belas safras de girassóis...
Mas não estarei lá para observá-los crescer até alcançar a minha altura, não estarei lá para vê-los se amostrarem com sua magnífica beleza... isso me entristece.
No entanto mudamos, evoluímos e há coisas que se tem que abri mão para subir de nível.
Meu último adeus foi uma longa olhada para ele, relembrando todos os momentos que ali vivi, tudo o que fizemos para que ele chegasse a ser o que é, todas as noites que refugiava-me ali, ouvindo música, regando as plantas, sentindo seus aromas e provando suas cores. E como eu queria não ter que deixá-lo! Entretanto é algo que tive que abrir mão e não me arrependo, mas sinto falta...
E há tanto que se passa aqui dentro, na minha cabeça, tantas coisas que poderia escrever sobre aquele meu recanto, e no entanto estão confusas demais e não consigo expressá-las... não agora.

Ah! E não posso esquecer que a primeira vez que meus pequenos irmãozinhos vieram tão constantemente visitar-me foi lá. Antes mesmo de transformarmos aquele caos no nosso refúgio. Ainda me lembro como se fosse ontem: sentada ali, à tarde, só havia eu. Tentara plantar uma roseira vermelha, não deu certo, mas antes que minha mudazinha com aquela flor avermelhada morresse, ele veio! E foi a primeira vez que o vi... 
Ele veio tão rápido e se foi mais rápido ainda!
No entanto, acho que no momento em que voou baixinho, bem perto do solo para beijar aquela rosa, o tempo passou mais devagar e tive um vislumbre de meu pequenino irmão.
Depois dessa não foi breve sua próxima visita, entretanto depois de toda aquela reforma, tirando e recolocando e tirando novamente todas aquelas pedras, fizemos néctar para eles! E, então, eles começaram a vir mais e mais vezes e deliciava-me com cada uma de suas aparições.
 Houve uma vez que não o vi, entretanto acordei, logo eu que voou um vôo longo quando deito-me no leito, com seu canto suave, baixinho. O diferenciei entre o canto de sabiás e bem-te-vis, soube que estava cantando para mim, falando comigo, acordando-me para ver o mesmo céu em que ele voava.



E sim, trouxemos algumas daquelas plantas mais especiais, mas ainda fica a lembrança e o desejo de ainda ter aquele recanto que eu tanto amava, apenas ele, meu recanto, meu lugar de paz.
E há tantas e tantas fotos, antes e depois da forte transformação, que não vejo como compartilhar aqui, são tantas memórias que aqui não irei dar mais detalhes, são tantas as emoções, os momentos que passamos por ele e nele, no entanto têm alguns que ficam apenas entre nós que vivemos.
E a diferença que fizemos no quintal, a pequena marca que deixamos ali, posso garantir foi fruto dos nossos esforços, com a ajuda de um amigo ou dois, mas quase completamente esforço nosso. Isso faz mais diferença ainda, apesar de não haver quem consiga imaginar o que fizemos para levar vida à um lugar que nem ao menos tinha esperança.

O último fruto de nosso inesquecível recanto - Geração Aline.

Um comentário:

  1. Nossa... Que jardim lindo!!...
    Amo tudo isso, terra, mato, plantinha, Girassol!!...rsrsss...

    Atrevi-me a copiar a foto do seu girassol,tá!
    Fiquei encantada!!...

    Beijo:)

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