sábado, 3 de março de 2012

O filósofo Sam


O ser humano parece ter perdido a poesia... A poesia não se resume à estrofes e rimas, a poesia ao meu ver é uma parte essencial da alma humana. Algo entre a criatividade e o otimismo, entre a melancolia e a expressão.
A poesia faz da dor uma espécie de arte, a poesia torna o mistério da vida algo mirabolante que desafia a sensibilidade, ela nos pede para escapar do óbvio, nos leva a buscar entrelinhas, e criá-las.
A poesia é que dá ao artista um olhar transcendente da realidade e o leva a pintar, não o que ele vê em si, mas a ideia pura e limpa daquilo que existe materialmente. Daí surgem os verdadeiros gênios: são aqueles que compreendem a existência da poesia como uma parcela fundamental da genialidade, que a incitam e usam-na conscientemente no cotidiano. Semeando-a naqueles que possuem a mente aberta para ver o mundo de outra forma.
A poesia é como a liberdade, quando está presente, logo se esquece dela, mas quando é retirada, logo sente-se sua ausência, claro, se você tiver consciência da existência dela. A humanidade parece estar sem rumo... Pararam de se perguntar verdadeiramente de 'Onde viemos?', 'Para onde vamos?', 'De onde veio o Mundo?'.
E não só... Estão muitos se satisfazendo com o mínimo, com a monotonia e o marasmo de uma vida estagnada poeticamente. Não mais produzem, não expressam, senão ideias repetidas e sem mistério, sem poesia, uma falsa arte.
E os últimos 'Cavalheiros' e as últimas 'Damas', os últimos defensores da arte e da poesia, como eu, tentam quase que em vão, salvar essa donzela chamada Poesia.

[Para mostrar que tudo é apenas questão de ponto de vista: Foto da Praia do Sobral, por Aline Wanderley
 — em Praia do Sobral


Só copie e colei do facebook para cá, mas também não tenho o que modificar, o texto está ótimo e é claro super verídico!


por Wellington Wanderley Barros Junior;

sexta-feira, 2 de março de 2012

Quase a deriva

É como se você fosse um barco, o mar está calmo e uma brisa leve refresca tudo ao redor.
Não lhe afetam, mas você sabe que às margens trovões retumbam ruidosamente e a tempestade é feroz; mas ali no seu pedaço de terra-mar tudo é tranquilo, até mesmo reluzente, acolhedor pois seu porto-seguro lhe mantêm protegida e lhe dá força para aguentar o medo da tempestade e até mesmo a ferocidade da mesma se ela vier a lhe atingir, lhe abriga dos raios que ameaçam cair sobre ti.
Tudo está bem, você está segura... mas então, você nota que as amarras estão se soltando, seu porto-seguro está se afastando de ti, está lhe abandonando. A principio, você não acredita, não consegue acreditar que isso está acontecendo; no entanto seu corpo já começa a reagir - mesmo a mente ainda não respondendo àquele estimulo -, você sente o desespero, a sua garganta dá um nó, parece que a voz some, enfraquece, e seu coração acelera e os olhos marejam. Você pestaneja os olhos violentamente para despistar as lágrimas. E, ainda assim, a ficha não caiu.
Você encara aqueles olhos que parecem um mar cor de chocolate - um mar tão calmo e cristalino, que lhe permitem, ao que parece, enxergar até a alma dele - e seu olhar talvez não aparentem mas carregam desespero, medo, tristeza, angústia e tudo o mais que você odeia demonstrar, que você odeia sentir... mas será que seu amado percebe esse turbilhão de emoções ruins? Será que ele vê que, silenciosamente, você está implorando para que ele não se vá, para que aquele "adeus" não seja para sempre...
Não há palavras, não há ações, pois a única coisa que você consegue pensar, que você consegue fazer em seu desespero é implorar à ele que fique, que não à deixe só, à deriva.
Mas ele ainda está se afastando, as amarras não foram amarradas novamente e estão se afrouxando, se soltando cada vez mais rápido.
Seu coração dói, dói bem lá no fundo, dói a alma. E essa dor nunca senti antes, nunca meu coração e alma doeu tanto assim, com tamanha intensidade e tal é esta dor que parece que seu coração está se partindo, se despedaçando e a pior parte é que está.
E você pergunta: "O que eu faço? O que faço para que você fique?"
E ele diz que você deveria sabe o que fazer, que essa resposta tem de vir de você; o desespero aumenta e você tenta pensar, mas as engrenagens parece que travaram, sua mente parece que não é nada só algo que diz "fique, não me deixe aqui, desprotegida, à deriva... não me mande me cuidar, eu me acostumei a ser cuidada por você, mesmo quando está longe, pois mesmo longe sinto o seu amor".
E se passa um turbilhão de coisas em sua mente, você pensa mil e uma coisas e nada é dito; e o porquê? Não sei.
Parece que a tempestade está se aproximando, chegando perto e cada vez mais forte e, até no seu pedaço de terra-mar, a maré está revolta.
As lágrimas caem e você não as impede de cair, talvez assim alivie a dor no seu coração...
O outro problema que existe é que lágrimas trazem perguntas, e perguntas exigem respostas e respostas vão acabar trazendo ainda mais lágrimas e nunca gostei de chorar muito menos com olhos me observando.
E ai você tem de segurar as lágrimas e os abraços que deveriam parar a dor, parar as lágrimas parece que só fazem doer mais e faz surgirem mais lágrimas pois você pensa que estes são os últimos.


E, em flashs, tudo está voltando ao normal, o barco está sendo amarrado ao porto novamente, está abrigado pelo porto novamente... Não sei como tudo voltou ao normal, mas voltou, a corda foi amarrada ao porto e o mais reconfortador é que até agora, sempre amarramos a corda novamente, nós sempre superamos, até mesmo quando parecia impossível.

E sabe algo péssimo? Que veio como um "ps" depois de escrito o texto e formada a ideia e feita a conclusão?
Quase que o nome do texto ficava simples e dolorosamente "À deriva" e quase que o final era: "o porto-seguro se afastou, a maré explodiu em violentas ondas e a tempestade chegou feroz com seus raios. E o barco está desprotegido, frágil, à deriva."

E agradeço, para, seja lá quem eu sempre peço que nós consigamos superar, por novamente termos superado... Sei que haverão obstáculos, agora já existem obstáculos mas espero que daqui a cinco anos eu tenha a certeza que no meu convite não haverá nada rabiscado no verso.