Em geral, o texto de um poeta não é apenas uma ideia... O
texto, as palavras, cada paragrafo traz emoções, traz revelações, desabafos,
trazem o próprio poeta. Mesmo que embaixo de uma cortina de metáforas, há um
pouco do que ele sente ali.
Às vezes são palavras que ele precisa soltar de si para o
mundo, e o faz, no entanto sua alma poética o inspira a dizer em palavras mais
ambíguas; para disfarçar a mensagem ou simplesmente poetizar.
E então ao invés de simplesmente a ideia ser escrita no
papel, e as palavras lançadas ao vento para quem estiver interessado em ouvir;
as palavras mesmas viram seus meios de transporte, são borboletas, colibris,
falcões que voam para levar a mensagem, ou mesmo velozes corcéis, leões, gatos
que agilmente correm por aí a fora carregando o que o autor quis dizer; peixes,
águas-vivas, que espalham aquela ideia mundo a fora, pela correnteza; transformam-se
em estrelas, cometas, planetas, que no céu brilham esperando que um observador
atento olhe e veja a ideia e seu autor.
E cada forma que esta mensagem assume para transportar a
mensagem traz gravada em si o nome do autor, o criador, a mãe dessa jovem
ideia. E quando um alguém qualquer chega e continua a passar à frente a ideia
sem dizer o autor, o pensador que a criou é como se deixasse órfã a obra.
E não apenas, pois é como se estivesse furtando também o
sentimento, o desabafo do autor.
Eu, como escritora, tenho orgulho quando sei que minha
idealização fez leitores se identificarem; mas eu, também como escritora, sei
como é ruim saber que a inspiração, a emoção que fez dar a luz uma obra é
tirada de mim, é espalhada por ai como se um "autor desconhecido" a
houvesse criado, ou mesmo com o nome de outro alguém; principalmente quando quem
repassou sabe quem criou.
Acredito que digo não apenas por mim.
Deixe que essas borboletas, corcéis, peixes e estrelas
chamem a atenção de cada observador, se você ouvir e impressionar-se,
identificar-se não deixe de dizer que também sente aquilo, que também pensa
daquele jeito, mas não deixe órfã ideia de pensador algum!
