23h e alguns minutos...
Ele estava bravo e chateado e estava indo embora, tentei impedi-lo e esbravejou que não o segurasse.
Queria gritar, queria - novamente - segurá-lo e impedi-lo de ir, queria chorar, queria fazer algo... Mas isso só iria irritá-lo ainda mais e isso era o que eu menos desejava naquele momento, não fosse isso chamaria a atenção de todos menos de quem eu desejava chamar.
E então segurei seu braço e ele novamente disse que não o tentasse...
Descalça na calçada molhada, o vi partir. E me senti inútil, idiota, impotente... e lá fiquei, odiando-me por isso e fiquei olhando enquanto ele se distanciava mais e mais até que sumiu de vista.
E esperei, esperei e esperei...
Não voltou.
Mais alguns minutos ali e então entrei e nem ao menos subi as escadas, sentei-me e mais uma vez odiei-me...
E depois sai novamente e fiquei lá olhando para o horizonte.
Então depois de mais alguns minutos ali, estupidamente parada na calçada... Entrei e subi as escadas.
Peguei o celular, decidida a ligar, digitei várias vezes o número e quase liguei, mas todas as vezes desisti. Já era meia noite e meia e eu ali, olhos marejados, cabeça latejando, ouvindo musicas românticas, musicas tristes e encolhida, com frio, desolada.
E lá pela uma da madrugada decidi que ligaria, mas pensei que talvez já estivesse dormindo, não queria acordá-lo e novamente desisti.
Quase duas e eu novamente tentei ligar e desisti.
E com o número lá, esperando que apertasse o botão verde para ligar, deixei que os olhos ainda marejados se fechassem ao som daquelas melodias lindas mas tristes pelo fato de que estava ali sozinha, totalmente só.
E a noite foi perturbada, acordei várias vezes e olhava o celular, esperando um sms, uma ligação quem sabe, mas nada...
E pensava em ligar e acordá-lo e dizer para ele que... que eu estava ali, acordada, olhando pro telefone, e não estava conseguindo descansar direito porque o coração estava apertado, a garganta tinha dado um nó e os olhos sempre marejavam ao pensar que aquele que mais amo, nesse momento está me odiando, provavelmente.
Três, quatro, cinco da madrugada... e então o resto da manhã o cansaço pegou-me e os olhos fecharam-se.
E ao acordar, ia ligar, mas pensei que talvez ainda estivesse dormindo. E meio dia, pensei que talvez estivesse almoçando. E agora não tenho mais desculpas para esconder o meu medo de ligar...
E porque não ligo? Medo de não atender, de ainda estar bravo, de piorar tudo, de... não sei. Mas tenho medo e esse medo não me deixa discar o número que já foi tantas vezes digitado, principalmente de ontem para hoje, nessas tentativas de buscar coragem e discar.
Não há sms, nem ligação e eu estou aqui esperando, buscando coragem para ligar...
