-É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. - Significa 'criar laços'...
- Criar laços?
- Exatamente - disse a raposa. - Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo... "
Eu sou um tipo de pessoa que gosta de cativar, apesar que não é a maioria que eu cativei, já que isso é algo que as duas partes terão de se esforçar. Mas mesmo assim, há muitos que para mim são únicos e que, creio eu, sou também única para eles. E são desses que me são cativos que sinto falta quando não estão perto, e que espero ansiosamente o momento em que geralmente nos encontramos, ou no caso de alguns que estão longe, de nos falarmos.
" - [...] Se me cativares, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste ! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...A rapousa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe :
- Por favor... cativa-me! - disse ela.
- Bem quisera - disse o principezinho -, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhecer bem as coisas que cativou - disse a raposa - Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente - respondeu a raposa. - Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto..."
Tempo... algo que as pessoas tratam como valioso demais para desperdiçar cativando alguém e o problema é exatamente este.
Seja paciente, e valorize mais alguém que será teu cativo do que o tempo que será gasto nisto...
Mas a razão de todo essas palavras não é para lembrar a você que você só conhece as coisas para quais dedica o seu tempo, mas pra expressar uma duvida minha, que vem atormentando minha mente faz alguns dias ...
E quando todo o tempo que você dedica à cativar alguém é desperdiçado? Quando depois de, por exemplo, nove anos, em que você se encontra com a pessoa aquela mesma hora e que você espera, quando seu tempo se esgota, pelo outro dia em que voltará a encontrá-la, quando ouve-se milhares e milhares de vezes que aquilo será para sempre... Simplesmente porque é chegada a hora de dizer adeus, que sempre há mesmo que algum dia você volte a encontrá-la, essa pessoa o injuria sem que você saiba e ainda o faz sentir culpado por ela está se afastando. Depois de você sofrer com a dor da partida, dividindo esse sofrimento com a pessoa, ela ainda o magoa ainda mais.
Provavelmente deixarei esta parte incompleta como está, pois não sei mais o que pensar.
Eu não tenho raiva, apenas estou magoada, extremamente magoada, e cada ato que já foi feito e o que está sendo feito torna cada vez mais inevitável que esse laço permaneça envolto em nós.
Tentei evitar, mas os esforços só partiram de mim, então devo dizer Adeus .
Trechos de O pequeno principe , de Antonie de Saint-Exupéry .
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