domingo, 29 de maio de 2011

Mundo das ideias

Numa hora tranqüila, as idéias nasciam, e nascidas multiplicavam-se como estrelas durante sua contagem no firmamento, multiplicadas em outras mil, as idéias corriam barulhentas e agitadas como crianças perdidas sob o olhar profundo de idéias tão antigas quanto o mundo.


Naquele dia, enquanto assistia a algazarra de algumas idéias zombeteiras e as diabruras de outras mais, um simpático senhor, de ombros largos e barba grisalha, anunciando-se como ums dos amigos da sabedoria, disse-me que um dia a correria daquelas jovens idéias assustaria os mais poderosos soberanos e monarcas em muitas terras e países do mundo.


Tentei arriscar um pergunta curiosa, mas antes que conseguisse falar, o senhor sinalizou para um grupo de idéias que giravam animadas numa ciranda de pensamentos. Ouvi sua canção, e era bela, e cheia de uma força, capaz de engendrar deuses e dá a luz demônios.
Ele apontou para um bando de idéias brincalhonas, indicando, em seguida um seleto grupo de idéias sóbrias e austeras, e olhando para algumas delas que sussurravam seus jogos, segredos e mistérios, disse: saborei, pois aqui o belo não é senão a própria beleza, o bom a própria bondade, o virtuoso a própria virtude.


Sorri, enquanto, as idéias se multiplicavam, tomando sua forma genuína e pura. Algumas nasciam como animais belos e assombrosamente perfeitos. Poderia dizer a forma das próprias coisas e seres imaginados e imagináveis.

Ali estava o próprio SABER, o próprio CONHECIMENTO, a própria SABEDORIA para onde todas as idéias seguiam seu rumo, desde as declaradamente tolas e pueris até as mais lúcidas e cheias de magia. Quando reunidas às idéias se desfaziam em um grande rio, ao lado de uma longa e ao mesmo tempo curta estrada, de onde poderiam matar a sede dos viajantes, que acaso ouvissem seu burburinho ao lado daquela estrada, a qual a todos deverá servir de caminho.
Perguntei ao velho amigo da sabedoria: Como poderia retornar outras vezes ao Mundo das Idéias? Afinal, o que mais indagaria um digno e curioso garoto de 13 anos ao velho filósofo.

Ele apontou-me, um banco singularmente comum naquele lugar fantástico, maravilho, e incomum. E falou: senta-te naquele banco ou em qualquer outro lugar, levando consigo tua curiosidade, surpresa pelas descobertas, paixão pelas idéias jovens e velhas e na trilha das idéias deixadas nas páginas de um livro encontrarás o caminho para ir e vir quando desejares.
Deu-me um abraço e seguiu os passos de algumas idéias pequeninas, nascidas naquele exato instante, que engatinhavam em direção ao turbilhão.


Finalmente, sentei naquele banco, abri o livro e me aconcheguei entre idéias mortais e imortais, idéias antigas e sábias, idéias recém-nascidas que me cercava num enorme berçário de idéias. Fui um leitor ávido, encontrara meu tesouro! E, durante a leitura daquele livro, durante aquela história, durante a viagem naquelas mil e uma páginas:


Tornei-me o primeiro Rei com 13 anos de idade daqueles fascinantes mundos e terras.


Wellington Wanderley

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Pareceu, Pareceu...

Ao meu ver a imensidão do céu estava, de algum modo, mais próxima da sólida terra...
 Pareceu, pareceu...
Deu, então, uma vontade de tocar as estrelas acima de mim; estiquei meus braço, mas o céu ainda estava longe, embora perto.
Pulei, então, tentando segurar-me na lua; não alcancei.
Pensei então em pegar um pula-pula e provar o gosto das nuvens, lá nas alturas.
Entretanto a ideia é absurda, mas: Por quê? Por que será que como um pequeno Príncipe, que um dia ouvi falar, eu não alcancei outro planeta, em um pulo? Talvez planeta onde houvesse uma flor em uma redoma ou uma raposa que cativasse.
Pensei que poderia cativar. Cativar alguém, mas quem?
Ahh! Assim complica-me!
Sem planetas não têm rosas nem alguém!
E nesse instante lembro-me:
Tenho planeta, Terra!
Tenho rosas, Vermelhas!
Tenho alguém, de Lins!

Felizes para sempre

Devo dizer que começarei de um modo um tanto quanto confuso para quem de longe olha e pouco conhece, mas mesmo assim escrevo.
A verdade é que conhecendo-os como conheço não têm como dizer que exista, nesta verdejante terra, um casal que se ame mais. Para alguém como eu, que os conhece tão bem, é difícil, talvez até impossível, encontrar metades de laranja que se combinem tão bem. Nasceram um para o outro? Não. Eles nasceram para se completar, pois um é a metade que falta no outro.
Pop, rock, MPB e até mesmo reggae; em todos os estilos musicais houve letras para descrever o amor que se pode ver entre eles e mesmo asssim não é suficiente... há amor demais para ser descrito, ouvido ou cantado de um modo que mostre perfeitamente a realidade.
E há tanto amor que para que conseguissem dar conta, partilharam desse amor com um Leão, uma Colibri e uma pequenina Borboleta. E olha! Combinações tão exóticas fizeram essa união, que surgiu do encontro das duas partes de uma magnífica alma, torna-se uma das mais belas e brilhantes uniões da face da Terra.
Mas olhem! Mesmo com a adição de um Leão, uma Colibri e uma Borboleta ao Casal peculiar formado por um Falcão Peregrino e uma esperta Lebre ainda havia amor demais... não, não; havia ainda mais amor.
Não foi uma decisão, foi mais o acaso que trouxe até a peculiar família um rei, um sábio disfarçado de gato, um caçador: Órion, o gato. Trouxe ao lar um ar de sabedoria, de mistério e à família um novo integrante. E novamente, quanto mais o amaram mais necessitou-se de um outro alguém.
Ainda passou-se um tempo, mas então veio, de um modo um tanto diferente do sábio gato, de um jeito eufórico, já querendo explorar: Princesa Enila. E tão amada é a jovem princesa!
E quanto ao Casal Siamês, devo dizer que é uma típica história que acaba com "Felizes para sempre". Mas essa é uma história um pouco diferente das demais, por que o Casal Siamês é como apenas uma pessoa que nasceu em datas diferentes, é uma laranja que nasceu uma metade em uma época e outra metade em outra, eles realmente se precisam para que a história exista e não somente por isso, também se precisam para que o personagem seja criado.

domingo, 22 de maio de 2011

Multipolar

Ai ai, como sou controversa! Polar, bipolar, multipolar...
Disseram-me um dia, o que me provou uma ideia já declarada nos profundos de minha mente, que tinha uma multipolaridade; esse alguém contemporanneo observava uma parte de mim, cá, e outra parte, lá. Em sua observação notou meus opostos, notou as Aline's que sustentam-se nas extremidades de meu ser, Aline's quase que totalmente opostas.
Mas o que posso fazer? Tenho essa tendência a me contradizer logo após ou muito depois de formada uma ideia, de tomada uma decisão.
Imagine como é ser eu mesma! Eu que disse, sóbria, sólida e de um modo incontestável, que não me prenderia, que ficaria live, leve e solta. Mas veja agora como estou!
E então vem minha outra parte, um dos meus outros polos e põe uma segunda tese em minha mente, mostra-me um outro lado. Na verdade não estou presa, estou livre e muitissímo livre. Pois, de certo modo, aprendi com o grande Mário Quintana que para ser feliz com uma pessoa você precisa não precisar dela.
E diga-me se não é, dentre os conjuntos de fatos que definem o amar, um dos princípios mais preciosos aquele que dá a flexibilidade de ir e voltar. E já dizia Lennon, Jonh Lennon, "Amo a liberdade, por isso... deixo livre as coisas que amo livre. Se elas voltarem é porque as conquistei... Se não voltarem é porque nunca as possuí."
E veja, isso fiz e isso está sendo feito, deixamo-nos livres e assim predemo-nos de um modo solto. Estamos livres de um modo segurado, conquistado.
E, do mesmo modo como aprendi com Quintana, sei que é certo os dizeres citados por um certo Príncipezinho que após cativados há de haver a necessidade um do outro.
E se de lado deixo o amor, volto-me então para a própria essência de meu ser, esse ser multipolar que sou. Se lá sou uma Aline sem tanto filosofar, cá sou uma das que mais gosta de pensar. Pois é, sou muito multipolar, gosto de mudar.
Se alguns reclamam disso, eu não tenho nada de que reclamar, sou constante, inconstante, uma criatura de um difícil fixar. E talvez por isso há tantas Aline's a se criar, a se reiventar. Posso até mesmo citar a nova Aline que está a brotar, a nova Aline que está à crescer, a amadurecer; posso até mesmo dizer que essa nova Aline tem um jeito mais escrito, mais poético, mais cortês. E tendo continuidade essa multipolaridade continuarei a ser abstrata, a transmitir uma ocupação, a ser recriada.
Serei, então, polar, bipolar, multipolar e quantos mais polares forem precisos para mostrar que o herói é assim: multipolar; um ser de multipolaridade, de muitas faces, talvez até de mil faces.

Pensadoras!

                           Pensadoras mulheres!!! Como as admiro!
Com os pensadores homens não tenho nada contra, admiro-os muitíssimo. No entanto, as pensadoras mulheres, admiro-as como professoras.
Diga-me se não merecem tal respeito e tal admiração, pois enquanto os homens tinham o apoio de homens para expor suas ideias, a mulheres são vítimas de machismo desde os príncipios da História, durante a qual foram tidas como bruxas, judias, rebeldes..., e foram condenadas às vezes por serem mulheres, outras por terem uma religião e outras ainda por lutarem por seus direitos.
Mas é disso que precisamos: de mulheres rebeldes para tomar a frente, para conquistar nosso espaço.
Muitos admiram-nos, e quantos são esses! Entretanto essa admiração é, em maioria, pela beleza; e a consideração pelas nossas cabeças pensantes onde fica? É por isso que temos que mostrar que temos algo a mais que beleza, algo a mais que aparência: Temos cérebro! Temos mente! Temos pensar!
Afinal filosofia é o amor à Sophia, à sabedoria, à uma mulher e, mais que isso, à uma filosofa! E por isso que espero que continuem a existir mulheres que pensam, que filosofem, que rebelem-se contra o machismo. Mulheres que ensinem, mulheres que mostrem-nos a realidade, mulheres que encantem, mulheres que cantem, mulheres que joguem, mulheres que liderem! Que nossas grandes professoras, Cecília Meireles, Anne Frank, Clarice Lispector, Ana Carolina, Marta Vieira, Dilma Roussef, entre muitas outras grandes mulheres, ensinem-nos a crescer, a amadurecer e a lutar! Por que a maioria delas muito lutou antes de conquistar o que conquistaram nas batalhas em que lutaram e ainda mais para eternizarem-se como eternizaram-se.
E ainda devo acrescentar, pois não poderia terminar este pensamento antes de  falar delas, elas que me alimentaram de saber, elas que me acariciaram com o sonhar, elas que ensinaram-me a lutar: Nice Barros Wanderley, Marita Marques Wanderley e Maria de Lourdes Barros da Silva. Às minhas maiores e mais amadas professoras, pensadoras, orientadoras.

sábado, 21 de maio de 2011

Cecília Meireles

Tem um tom bem quentinho, suave, gostosinho. Uma poesia tanto cantarolada quanto falada, para crianças novas ou mais avançadas.
Trouxe-nos Espectros com o virtuosismo da forma, intuição, intimidade; pregava pela liberdade, nacionalidade, educacionalidade.
Buscou inspiração no seu país, no seu folclore, na sua gente, nas suas paisagens. E provou ser não só uma escritora como também uma pensadora; grande pensadora!
Trouxe, junto com sua essência, com sua cor e com seus lábios, a educação e o gosto bom da leitura. Transformou seu talento com as palavras em deleite com letras.
Bibliotecou e poetizou e quando seu corpo foi, deixou cá suas palavavras eternizadas e sua imagem gravada. Sublinhou seu nome com palavras, mágicas.
Será ela uma das minhas eternas admiradas: Cecília Benevides de Carvalho Meireles.

Mentia, mas não mais minto

Se antes disse que amava-te, menti. Menti pois respondi-te sem pensar, apenas para te agradar, para te corresponder. E de que serve um eu te amo sem pensar? Sem que seja refletido o sentimento, sem que o mesmo seja decifrado? De nada, respondo, de nada serve.
No entanto mudaram as estações, tudo mudou. Agora digo e digo feliz e sincera: É incrível! Incrível não só o efeito que alguém pode causar em você como também em tudo que a cerca. Se as estrelas não apareciam porque precisava-se de paz, agora não neguem-se: há paz.
Se não havia céu azul pois faltava um grande amor, encontrou; então que instale-se o azul!
E o frio? Se não faziasse sentir pois não distinguia-se quem iria esquentar o corpo frio, agora esse alguém está distinto, então que a chuva venha para molhar a planície forrada pelo asfalto.

Palavras,

Palavras, Palavras...
E como são importantes as palavras; podem facilmente iludir, trair, ou o contrário, conquistar e acariciar.
No entanto, devo dizer que existem palavras mais importantes que outras. Mais importante que a palavra cantada ou recitada são aquelas abocanhadas pelas páginas em branco, escritas pela tinta que corre rápida pelo papel, tentando acompanhar o ritmo acelerado do pensamento. Mas...

Por quê? Por quê? Por quê?
A pergunta ecoa, o pensamento voa e a resposta logo vem; de mansinho, devagarinho, pelos cantinhos rodeando ali e aqui para ver se há, em algum canto, com ou sem encanto, um ouvinte disposto a ler o canto, o pranto de palavras nuas e cruas.
São elas que eternizam um momento, um pensamento; são elas que, mesmo depois de morto o sentimento, trazem à tona uma lembrança, um outro tempo.
Tão fortes são que há quem fique com ciúmes de palavras, palavras direcionadas à um outro alguém. Mas não te preocupas, eu posso dizer-lhe, garanto-lhe que se as deixo, se não as esqueço, não é por amor à outro, não é porque vá deixar-lhe; não as esqueço pois lembranças são para serem guardadas e palavras, também.