segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O meu héroi

Acho tão clichê, estão todos escrevendo sobre isso e eu não gosto de clichês. Mas certas vezes tenho que ser clichê, por mais que não goste disso.
No entanto, essa pessoa sobre a qual escrevo merece a minha fuga do "não ser clichê".
Desde que era uma sementinha ele já zelava por mim; estava longe, pois assim precisou estar. Mas estava lá longe preocupado comigo porque estava tentando trazer apenas o melhor para mim, como faz até hoje. E em todos os momentos em que precisou ausentar-se estava cuidando desse colibri teimoso, que tantas vezes lhe foge das mãos se esperneando.
E eu sou assim teimosa, viajante, que bate as asas rapidamente e se afasta, no entanto assim como as borboletas sempre voltam aos jardins, os colibris também. É nesse jardim, de carinho e conhecimento, que provo do melhor néctar e hei de voltar todas as vezes, pois esse ninho é o refúgio que sempre terá as portas abertas para mim e para o qual devo minha total gratidão por ser quem eu sou.
Afinal se fosse eu de outra família qualquer, com um pai qualquer e uma mãe qualquer, eu, provavelmente, não amaria livros, não prezaria o conhecimento, não teria os horizontes abertos.

Eu agradeço, papa, por ter sido meu guia, meu professor, mentor, protetor, o guardião de limiares, meu pai, meu herói e ter me preparado para voar para longe do ninho e mesmo assim manter tudo que cultivou em mim sempre aceso.
Você foi para mim, como o Pequeno Príncipe foi para a Rosa; Que por mais vaidosa e orgulhosa que fosse, mesmo assim não deixou de ter toda a atenção do principezinho, que com sua preocupação cuidou dela e protegeu do mundo. E você é para mim, como a Rosa é para o príncipe, único. Nos cultivamos mutuamente, todos os dias e além de protetor é um amigo.
Não me importa se existe por ai afora um pai que seja considerado melhor por quem quer que seja, para mim você é o melhor pai do mundo, que saí todos os dias e enfrenta o perigo e depois volta e me traz um sorriso.
Provavelmente não sou a melhor filha, eu sou teimosa, chata, e por vezes emburrada. Não demonstro - como deveria - todos os dias o meu amor e minha gratidão a ti; no entanto desejo imensamente tornar-me, um dia, motivo de orgulho. E quando chegar ao dia em que irei me formar, a maior parte dos meus agradecimentos será para você. Ainda quando estava naquela fase profissional-camaleão em que certo período queria ser psicologa, em outro juíza, legista, historiadora, bióloga e tantas outras profissões que já quis ser, você permaneceu ao meu lado, rindo as vezes das profissões que me chegavam a mente e mesmo assim não deixou de me apoiar, só me avisava que independente da escolha era preciso estudar. E agora, continua a me dizer o mesmo.
Para mim vai ser fantástico saber que meu pai parou para falar para um amigo que tem orgulho de mim, da sua Aline, que se formou em medicina, uma das mais jovens da turma. Será realidade, vou me esforçar para ser.
São inesquecíveis aquelas horas em frente a tv, ora assistindo Lost, ora assistindo Brumas de Avallon, só eu e você. Ou mesmo quando você atrasado e ainda assim parava para ouvir o relato do livro que eu estava lendo, que de tão empolgada acabava dando spoiler.
Muito que já passou, e ainda há muito por vir, e independente de tudo eu irei amá-lo como sempre amei. Mesmo com todas as minhas chatices, reside aqui a sua menininha chata, o seu pequeno colibri que enche-se de orgulho ao falar de você, que mesmo quando as vezes é chato em situações bobas, assim está sendo para me proteger.
Devo confessar, mesmo que meu orgulho tente me fazer não dize-lo, que me veio umas lágrimas aos olhos enquanto escrevia...
Eu te amo papa!


Nenhum comentário:

Postar um comentário