segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Luz viajante

O Farol correndo pelo céu, iluminando-o, é uma das mais singelas belezas que pode-se ver. Qualquer um que pare, nessa nossa cidadezinha, e tenha a curiosidade de erguer os olhos para cima para deleitar-se com o véu azul e seus furinhos-estrelas e a lindíssima lua (magnifica em todas as suas fases), terá também o prazer de ver o farol passeando pelo céu.
Entretanto creio que, assim como é difícil hoje em dia ver alguém estar à admirar o céu, é ainda mais raro alguém admirar a simples luz do farol.
Mas eu sempre fui assim. Desde pequena me admiro facilmente com a mais singelas preciosidades. E nessa vida cada pequeno detalhe é precioso, eu acredito; cada repuxar que vai formando um sorriso bobo por um pensamento solto lhe faz notar a importância de certas pessoas, certos momentos e certos tesouros. Tesouros não como os dos piratas, reis e dragões mas sim como as flores ou o firmamento de um azul profundo cheio de estrelas brilhantes, o arco-íris em meio aquelas nuvens que quando precipitam deixam a terra com cheirinho de chuva, o sorriso feliz da pessoa amada e todas essas coisinhas que podem parecer a maior besteira para todo mundo mas que ao menos para mim são acontecimentos fascinantes.
E é por ser para mim fascinante essas minucias que estou aqui, a escrever algumas palavras sobre minhas bobagens.
Acho deliciosa a sensação de olhar o céu... ficar observando as nuvens se movimentarem levemente na imensidão negra fazendo parecer que na verdade são os astros que estão caminhando de um lado para o outro. Enquanto as nuvens se movimentam devagarzinho pelo céu, aquele feixe de luz azul ilumina de um canto a outro; dias em que chove o feixe de luz azul ilumina a negritude que recobre o firmamento e após alguns instantes está iluminando também parte de algumas nuvens e no seu vaivém chega um momento que percorre apenas nuvens... e depois cai a chuva e molha a terra, esfria o ar e traz aquele aroma gostoso de terra molhada.
Fico imaginando aquela torre imensa com uma luz fortíssima que movimenta-se de um lado pra o outro, enquanto pinta o céu com sua tonalidade. As nuvens em meio a sua dança vagarosa faz lembrar o mar, quando está calmo e as ondas vem e "quebram", jogando pingos de água salgada no ar e fazendo aquela espuma branquinha; quando se agitam também remetem ao mar revolto, quando é ainda mais necessário a presença da luz viajante do farol para guiar os marinheiros à chegar em um lugar seguro - ao menos seguro da ira do mar.
Sempre achei deslumbrante a luz do farol correndo pelo céu, deixando rastros de luz azul pelo horizonte...
É só. Vim aqui para falar apenas de um farol e sua luz corredora. São apenas palavras descrevendo um fenômeno totalmente trivial que pode ser maravilhoso aos olhos daqueles que aprenderam a arte de ser feliz.

[...] "quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim."
Cecília Meireles

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