sábado, 30 de março de 2013

Mania de Explicação

" Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa.
Explicação é uma frase que se acha mais importante do que a palavra.
Ela achava o mundo do lado de fora um pouquinho complicado.
Se cada um simplificasse as coisas, o mundo podia ser mais fácil, ela pensava.
Então tentava simplificar o mundo dentro da sua cabeça.
Simplificar é quando em vez de pensar 4/8 a pessoa pensa logo em 1/2.
Um meio, quando é escrito em números, sempre quer dizer "metade".
Mas quando é escrito em letras pode também querer dizer "um jeito".

Existem vários jeitos de entender o mundo.
Ela tentava explicar de um jeito que ele ficasse mais bonito.

As pessoas até se irritavam,
Irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio de seu peito
com aquela menina explicando o tempo todo o que a população inteira já sabia. 

Quando ela se dava conta, todo mundo tinha ido embora. Então ela ficava lá explicando sozinha.

Solidão é uma ilha com saudade de barco.

Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.

Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.

Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer “eu deixo” é pouco.

Pouco é menos da metade.

Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.

Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro da sua cabeça.

Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.

Agonia é quando o maestro de você se perde completamente.

Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento.

Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.

Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.

Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.

Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.

Renúncia é um não que não queria ser ele.

Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.

Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente.

Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.

Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.

Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja.

Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente.

Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.

Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.

Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.

Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.

Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é fevereiro.

Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.

Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.

Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.

Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.

Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.

Perdão é quando o Natal acontece em maio, por exemplo.

Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.

Beijo é um carimbo que serve pra mostrar que a gente gosta daquilo.

Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.

Desatino é um desataque de prudência.

Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.

Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.

Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.

Emoção é um tango que ainda não foi feito.

Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.

Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.

Desejo é uma boca com sede.

Paixão é quando apesar da placa “perigo” o desejo vai e entra.

Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero…Também não. É um desaforo… Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?

Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Amore infiammato

Eu te amo!, não duvides disto
pois esta é a declaração mais sinceraw
que meu coração apaixonado 
e canta, cheio de esplendor.

Declaro-a com toda a veemência,
inúmeras vezes, se preciso for,
a fim de te envolver com a alegria
e a paixão que transborda de meu interior.

Te amarei, asseguro-te, por anos sem fim:
como uma chama que queimará
em toda a sua glória e ardor
por entre as marés do tempo;

Como uma luz que permanecerá acesa,
em meio às tempestades que conturbam
e o céu pacífico que acalma
as águas profundas do Amor.


Tamanha é a imensidão deste amor
que abrigará as flores em seu desabrochar,
os raios de sol quando atingirem o ápice de seu calor.

Quando as folhas secarem e precipitarem
e os ventos frios trouxerem chuva,
será nas terras do meu inflamado amor
que elas cairão pois tão forte é sua chama
que suporta as mais ferozes tempestades.

26 de Março de 2013

Sonhos à vista

Quando penso na expressão "eu sonho em...", imagino que sirva apenas para aqueles intensos desejos que nutrimos desde a mais tenra idade. No entanto, creio que este modo de pensar não esteja correto, pois há tanto que desejo na intensidade de um sonho e que não foi sonhado desde "a mais tenra idade".
Sendo assim, vou usar a expressão para definir a intensidade de alguns desejos. Primeiro vou pensar nos sonhos que são sonhos desde a mais tenra idade e depois os sonhos que já estão bem pertinho de serem conquistados e, mais tarde, falo sobre qualquer outro sonho.
O primeiro a ser citado é Conhecer a Holanda, mais especificamente, Amsterdam.
A origem vem de uma foto de um livro de "Ciências", creio que da segunda serie ou, no máximo, da terceira. Tinha entre 7 e 8 anos e esse desejo está intensamente definido (na lista de sonhos); posso cita-lo ate como motivação para meu interesse educacional e profissional. E ate mesmo como objetivo em minha vida...
Logo depois deste vem Viajar o mundo inteiro, mesmo vindo depois na lista de .sonhos ele engloba o primeiro, Amsterdam, de certo modo.
Esse sonho da lista tem uma "sublista"onde 'adicionamos' de tempos em tempos lugares que 'precisamos' conhecer.
Lembro-me que quando era mais nova tudo era "sonho", havia ate uma lista. E uma pena que ela não exista mais, procurei-a em todos os meus "arquivos". Só de lembrar de alguns já rio: Ganhar uma flor, tomar chocolate derretido quente, ter uma macieira na minha casa com jardim,...
Toda a família ria dos meus "sonhos" escritos na listinha, de tao bobos que eram(em sua maioria).Um outro sonho que lembra Amsterdam e "ter uma casa-barco" - e que estava na listinha.
(LEMBRAR MAIS)
O sonho que esta mais pertinho de se realizar, de começar a se concretizar eu digo em uma palavra: Medicina.
Nos últimos dias venho me esforçando cada vez mais, mesmo que ainda falte cerca de 2 anos para que eu possa ingressar na faculdade.
Esse, apesar de estar no grau de intensidade "sonho", e um desejo relativamente recente pois nao faz nem 2 anos que passei a ter a convicção de que e esse o curso que desejo cursar e que comecei a visar como um objetivo em minha vida. Esse sonho nasceu sob a luz da lua; ate o local e o cheiro que me envolviam bem como a imagem exata de como apareceu eu me recordo. E esse sonho, assim como o tao citado Amsterdam, nasceu a visão de flores. A diferença esta que o citadíssimo foi sonhado olhando a imagem de um campo de flores e o mais recente foi tido em meio ao meu pequeno jardim de flores jovens, que estava sendo regado por mim.

Vita Nuova

Se ao mesmo gozo antigo me convidas, 
Com esses mesmos olhos abrasados, 
Mata a recordação das horas idas, 
Das horas que vivemos apartados! 

Não me fales das lágrimas perdidas, 
Não me fales dos beijos dissipados! 
Há numa vida humana cem mil vidas, 
Cabem num coração cem mil pecados! 

Amo-te! A febre, que supunhas morta, 
Revive. Esquece o meu passado, louca! 
Que importa a vida que passou? que importa, 

Se inda te amo, depois de amores tantos, 
E inda tenho, nos olhos e na boca, 
Novas fontes de beijos e de prantos?! 

Olavo Bilac

segunda-feira, 25 de março de 2013

Praga rogada aos ladrões de livros


"A quem furtar este livro do seu dono, ou tomá-lo emprestado e não o devolver: que o livro se transforme numa serpente em suas mãos e o dilacere. Que seja acometido por paralisia, e todos os seus membros se ressequem. Que se esvaia em dor gritando por piedade, e que não haja fim para sua agonia até que ele se consuma em sua dissolução. Que as traças devorem suas entranhas e, quando for levado ao castigo final, que as chamas do Inferno o queimem para sempre."

Praga rogada aos ladrões de livros na biblioteca do
Mosteiro de San Pedro, em Barcelona


terça-feira, 19 de março de 2013

Pequeninando

"Narizinho correu os olhos pela assistência. Não podia haver nada mais curioso. Besourinhos de fraque e flores na lapela conversavam com baratinhas de mantilha e miosótis nos cabelos. Abelhas douradas, verdes e azuis falavam mal das vespas de cintura fina - achando que era exagero usarem coletes tão apertados. Sardinhas aos centos criticavam os cuidados excessivos que as borboletas de toucados de gaze tinham com o pó das suas asas. Mamangavas de ferrões amarrados para não morderem. E canários cantando, e beija-flores beijando flores, e camarões camaronando, e caranguejos caranguejando, tudo que é pequenino e não morde, pequeninando e não mordendo."

Reinações de Narizinho,
Monteiro Lobato.

sábado, 16 de março de 2013

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinicius de Moraes.
-continue a caminhar no rumo que quer para sua vida, e o veento trará novas experiêencias, boas e ruins, para que possa continuar a aprender, a mudar e a amadurecer .


Com seu sabor, ao mesmo tempo doce e amargo, deleita.
Com sua fragrância adocicada, suave ainda que chamativa, provoca!
Com sua cor, ao mesmo tempo passiva e ativa, conquista.
É o doce chocolate que me provoca, deleita e conquista.
Anima-me o ânimo, me dá prazer e enlouquece-me.

"porque você é louco por chocolate?"

Sabe aquela sensação descrita em livros que o personagem sente, mas que pouquíssimos já sentiram? 

Bem, um beijo já me fez sentir tudo aquilo... como se eu fosse a única que importava para ele, senti aquele friozinho na barriga, senti um êxtase sufocante, quase gritei de tanta felicidade, de saber que o tinha ao meu lado, de saber que ele gostava de mim, que se importava comigo... Mas todo conto de fadas acaba né? E esse demorou até tempo de mais dada as circunstâncias...

Eu gosto dele e não vou mentir, mas já chega ! Cansei de ser enganada. 



Estiagem

Acho que esse é mais um tipo de bobagem que às vezes passa pela minha cabeça... e que, em geral, só sai dela quando é concretizado.
Mas é que hoje eu estava afim de chorar. Não de ficar triste, mas de chorar. Chorar de emoção, de felicidade, nostalgia... São os meus olhos que estão querendo chorar, mas não tem motivo e eles não choram sem motivo. Estão preparados para chorar, como se daqui a pouco as lágrimas fossem pular para fora.
E eu poderia pegar um livro, um daqueles que eu sei que me emocionam e ler, ou mesmo assistir um daqueles filmes que também me fazem chorar; no entanto, eu estou querendo que seja algo meu! Algo que seja meu e feliz.
Cansei de tristeza, cansei de brigas, cansei de cada um ficar em seu lugar quando deveriam estar em um lugar só. Eu quero
O que eu quero?























Cortejar a insanidade

Intimamente devo pensar que me achará estranha se eu for como eu sou... Mas eu sou estranha, sabe? Sou meio antiquada, todavia também tenho a mente aberta para novas possibilidades. Não sei dançar, mas adoro fazê-lo. Às vezes (muitas vezes!, diga-se de passagem) eu vou ficar quietinha mesmo morrendo de vontade de deixar a música agitar meu corpo; a explicação que tenho para isto é que nessas certas ocasiões aquele meu lado super tímido domina e me prende - mesmo com todos os esforços de minha parte para tentar deixá-lo sempre oculto -.  Logo se faz necessário um estímulo que faça esse lado ficar quietinho 'na dele'...
Também adoro chuva! Quando as gotinhas iniciam sua queda e o cheiro de terra molhada começa a ser detectado pelos meus sentidos dá uma vontade imensa de abrir os braços para abraçar a chuva e levantar o rosto em direção ao céu, com os olhos fechadinhos, para sentir cada gotinha travessa que tocar minha face e escorregar por ela.
No entanto, antes que a vontade comece a movimentar o meu corpo para deleitar-se, todos já estão escondidos, protegidos da chuva. E acho maravilhoso quando, ao invés de puxar-me para um abrigo, saboreiam comigo a chuva; e ainda mais maravilhoso quando tiram-me para dançar. Portanto, se começar a chover, não corra da chuva: deixe que as gotas molhem seus cabelos e deslizem pelo seu corpo; permita que o sol que tem dentro de você seja externizado em sorrisos, melodias e dança.
Visto que dançar é ótimo e que, com a pessoa de quem se gosta, é melhor ainda, pois então bailar movido apenas pela alegria (sem ao menos precisa de música audível aos ouvidos daqueles que não estão envoltos por essa felicidade), sob os pingos de chuva e com a pessoa amada... não tem preço!
Por isso, meu bem, não hesite em tirar-me para dançar no meio do nada, sem que haja música tocando; não hesite em provocar-me a provar dessas loucuras momentâneas, visíveis apenas aos olhos daqueles que estão atentos para ver. Adoro ser provocada!
Incite-me a cortejar a insanidade e cante comigo o coro desafinado dos contentes. Tire-me do sério, leve-me por loucos caminhos. Faça-nos vibrar em outra frequência, dançar no silêncio, nadar contra a corrente.

É quando os primeiros pingos começam a precipitar que as pessoas passam a correr para se abrigar dela; algumas dizem que gostam dela, mas ainda assim correm quando começa a chover.
Sou do outro tipo de pessoa: eu gosto da chuva e não tenho medo dela. A sensação dos pingos de chuva caindo-lhe pela face é deliciosa; o friozinho que acompanha a chuva também não é mal, é um friozinho bom para abraçar. E a chuva é ótima para cantar e também para dançar. E quando um certo alguém que desperta-lhe o sentimento a convida para dançar, não há nada melhor. Não resista, deixe-se levar pela música que o momento trouxe, solte a voz, cante o coro dos contentes.

terça-feira, 12 de março de 2013

A Linha Mágica

" Era uma vez uma viúva que tinha um filho chamado Pedro. O menino era forte e são, mas não gostava de ir à escola e passava o tempo todo sonhando acordado.
- Pedro, com o que você está sonhando a uma hora destas? - perguntava-lhe a professora.
- Estava pensando no que serei quando crescer - respondia ele.
- Seja paciente. Há muito tempo para pensar nisso. Depois de crescido, nem tudo é divertimento, sabe? - dizia ela.
Mas Pedro tinha dificuldades para apreciar qualquer coisa que estivesse fazendo no momento, e ansiava sempre pela próxima. No inverno, ansiava pelo retorno do verão; e no verão, sonhava com passeios de esqui e trenó, e com as fogueiras acesas durante o inverno. Na escola, ansiava pelo fim do dia, quando poderia voltar para casa; e nas noites de domingo, suspirava dizendo: "Se as férias chegassem logo!" O que mais o entretinha era brincar com a amiga Lise. Era companheira tão boa quanto qualquer menino, e a ansiedade de Pedro não a afetava, ela não se ofendia. "Quando crescer, vou casar-me com ela", dizia Pedro consigo mesmo.
Costumava perder-se em caminhadas pela floresta, sonhando com o futuro. Ás vezes, deitava-se ao sol sobre o chão macio, com as mãos postas sob a cabeça, e ficava olhando o céu através das copas altas das árvores. Uma tarde quente, quando estava quase caindo no sono, ouviu alguém chamando por ele. Abriu os olhos e sentou-se. Viu uma mulher idosa em pé à sua frente. Ela trazia na mão uma bola prateada, da qual pendia uma linha de seda dourada.
- Olhe o que tenho aqui, Pedro - disse ela, oferecendo-lhe o objeto.
- O que é isso? - perguntou, curioso, tocando a fina linha dourada.
- É a linha da sua vida - retrucou a mulher. - Não toque nela e o tempo passará normalmente. Mas se desejar que o tempo ande mais rápido, basta dar um leve puxão na linha e uma hora passará como se fosse um segundo. Mas devo avisá-lo: uma vez que a linha tenha sido puxada, não poderá ser colocada de volta dentro da bola. Ela desaparecerá como uma nuvem de fumaça. A bola é sua. Mas se aceitar meu presente, não conte para ninguém; senão, morrerá no mesmo dia. Agora diga, quer ficar com ela?
Pedro tomou-lhe das mãos o presente, satisfeito. Era exatamente o que queria. Examinou-a. Era leve e sólida, feita de uma peça só. Havia apenas um furo de onde saía a linha brilhante. O menino colocou-a no bolso e foi correndo para casa. Lá chegando, depois de certificar-se da ausência da mãe, examinou-a outra vez. A linha parecia sair lentamente de dentro da bola, tão devagar que era difícil perceber o movimento a olho nu. Sentiu vontade de dar-lhe um rápido puxão, mas não teve coragem. Ainda não.
No dia seguinte na escola, Pedro imaginava o que fazer com sua linha mágica. A professora o repreendeu por não se concentrar nos deveres. "Se ao menos", pensou ele, "fosse a hora de ir para casa!" Tateou a bola prateada no bolso. Se desse apenas um pequeno puxão, logo o dia chegaria ao fim. Cuidadosamente, pegou a linha e puxou. De repente, a professora mandou que todos arrumassem suas coisas e fossem embora, organizadamente. Pedro ficou maravilhado. Correu sem parar até chegar em casa. Como a vida seria fácil agora! Todos seus problemas haviam terminado. Dali em diante, passou a puxar a linha, só um pouco, todos os dias.
Entretanto, logo apercebeu-se que era tolice puxar a linha apenas um pouco todos os dias. Se desse um puxão mais forte, o período escolar estaria concluído de uma vez. Ora, poderia aprender uma profissão e casar-se com Lise. Naquela noite, então, deu um forte puxão na linha, e acordou na manhã seguinte como aprendiz de um carpinteiro da cidade. Pedro adorou sua nova vida, subindo em telhados e andaimes, erguendo e colocando a marteladas enormes vigas que ainda exalavam o perfume da floresta. Mas às vezes, quando o dia do pagamento demorava a chegar, dava um pequeno puxão na linha e logo a semana terminava, já era a noite de sexta-feira e ele tinha dinheiro no bolso.
Lise também mudara-se para a cidade e morava com a tia, que lhe ensinava os afazeres do lar. Pedro começou a ficar impaciente acerca do dia em que se casariam. Era difícil viver tão perto e tão longe dela, ao mesmo tempo. Perguntou-lhe, então, quando poderiam se casar.
- No próximo ano - disse ela. - Eu já terei aprendido a ser uma boa esposa.
Pedro tocou com os dedos a bola prateada no bolso.
- Ora, o tempo vai passar bem rápido - disse, com muita certeza.
Naquela noite, não conseguiu dormir. Passou o tempo todo agitado, virando de um lado para outro na cama. Tirou a bola mágica que estava debaixo do travesseiro. Hesitou um instante; logo a impaciência o dominou, e ele puxou a linha dourada. Pela manhã, descobriu que o ano já havia passado e que Lise concordara afinal com o casamento. Pedro sentiu-se realmente feliz.
Mas antes que o casamento pudesse realizar-se, recebeu uma carta com aspecto de documento oficial. Abriu-a, trêmulo, e leu a noticia de que deveria apresentar-se ao quartel do exército na semana seguinte para servir por dois anos. Mostrou-a, desesperado, para Lise.
- Ora - disse ela -, não há o que temer, basta-nos esperar. Mas o tempo passará rápido, você vai ver. Há tanto o que preparar para nossa vida a dois!
Pedro sorriu com galhardia, mas sabia que dois anos durariam uma eternidade para passar.
Quando já se acostumara à vida no quartel, entretanto, começou a achar que não era tão ruim assim. Gostava de estar com os outros rapazes, e as tarefas não eram tão árduas a princípio. Lembrou-se da mulher aconselhando-o a usar a linha mágica com sabedoria e evitou usá-la por algum tempo. Mas logo tornou a sentir-se irrequieto. A vida no exército o entediava com tarefas de rotina e rígida disciplina. Começou a puxar a linha para acelerar o andamento da semana a fim de que chegasse logo o domingo, ou o dia da sua folga. E assim se passaram os dois anos, como se fosse um sonho.
Terminado o serviço militar, Pedro decidiu não mais puxar a linha, exceto por uma necessidade absoluta. Afinal, era a melhor época da sua vida, conforme todos lhe diziam. Não queria que acabasse tão rápido assim. Mas ele deu um ou dois pequenos puxões na linha, só para antecipar um pouco o dia do casamento. Tinha muita vontade de contar para Lise seu segredo; mas sabia que se contasse, morreria.
No dia do casamento, todos estavam felizes, inclusive Pedro. Ele mal podia esperar para mostrar-lhe a casa que construíra para ela. Durante a festa, lançou um rápido olhar para a mãe. Percebeu, pela primeira vez, que o cabelo dela estava ficando grisalho. Envelhecera rapidamente. Pedro sentiu uma pontada de culpa por ter puxado a linha com tanta freqüência. Dali em diante, seria muito mais parcimonioso com seu uso, e sé a puxaria se fosse estritamente necessário.
Alguns meses mais tarde, Lise anunciou que estava esperando um filho. Pedro ficou entusiasmadíssimo, e mal podia esperar. Quando o bebê nasceu, ele achou que não iria querer mais nada na vida. Mas sempre que o bebê adoecia ou passava uma noite em claro chorando, ele puxava a linha um pouquinho para que o bebê tornasse a ficar saudável e alegre.
Os tempos andavam difíceis. Os negócios iam mal e chegara ao poder um governo que mantinha o povo sob forte arrocho e pesados impostos, e não tolerava oposição. Quem quer que fosse tido como agitador era preso sem julgamento, e um simples boato bastava para se condenar um homem. Pedro sempre fora conhecido por dizer o que pensava, e logo foi preso e jogado numa cadeia. Por sorte, trazia a bola mágica consigo e deu um forte puxão na linha. As paredes da prisão se dissolveram diante dos seus olhos e os inimigos foram arremessados à distância numa enorme explosão. Era a guerra que se insinuava, mas que logo acabou, como uma tempestade de verão, deixando o rastro de uma paz exaurida. Pedro viu-se de volta ao lar com a família. Mas era agora um homem de meia-idade.
Durante algum tempo, a vida correu sem percalços, e Pedro sentia-se relativamente satisfeito. Um dia, olhou para a bola mágica e surpreendeu-se ao ver que a linha passara da cor dourada para a prateada. Foi olhar-se no espelho. Seu cabelo começava a ficar grisalho e seu rosto apresentava rugas onde nem se podia imaginá-las. Sentiu um medo súbito e decidiu usar a linha com mais cuidado ainda do que antes. Lise dera-lhe outros filhos e ele parecia feliz como chefe da família que crescia. Seu modo imponente de ser fazia as pessoas pensarem que ele era algum tipo de déspota benevolente. Possuía um ar de autoridade como se tivesse nas mãos o destino de todos. Mantinha a bola mágica bem escondida, resguardada dos olhos curiosos dos filhos, sabendo que se alguém a descobrisse, seria fatal.
Cada vez tinha mais filhos, de modo que a casa foi ficando muito cheia de gente. Precisava ampliá-la, mas não contava com o dinheiro necessário para a obra. Tinha outras preocupações, também. A mãe estava ficando idosa e parecia mais cansada com o passar dos dias. Não adiantava puxar a linha da bola mágica, pois isto sé aceleraria a chegada da morte para ela. De repente, ela faleceu, e Pedro, parado diante do túmulo, pensou como a vida passara tão rápido, mesmo sem fazer uso da linha mágica.
Uma noite, deitado na cama, sem conseguir dormir, pensando nas suas preocupações, achou que a vida seria bem melhor se todos os filhos já estivessem crescidos e com carreiras encaminhadas. Deu um fortíssimo puxão na linha, e acordou no dia seguinte vendo que os filhos já não estavam mais em casa, pois tinham arranjado empregos em diferentes cantos do país, e que ele e a mulher estavam sós. Seu cabelo estava quase todo branco e doíam-lhe as costas e as pernas quando subia uma escada ou os braços quando levantava uma viga mais pesada. Lise também envelhecera, e estava quase sempre doente. Ele não agüentava vê-la sofrer, de tal forma que lançava mão da linha mágica cada vez mais freqüentemente. Mas bastava ser resolvido um problema, e já outro surgia em seu lugar. Pensou que talvez a vida melhorasse se ele se aposentasse. Assim, não teria que continuar subindo nos edifícios em obras, sujeito a lufadas de vento, e poderia cuidar de Lise sempre que ela adoecesse. O problema era a falta de dinheiro suficiente para sobreviver. Pegou a bola mágica, então, e ficou olhando. Para seu espanto viu que a linha não era mais prateada, mas cinza, e perdera o brilho. Decidiu ir para a floresta dar um passeio e pensar melhor em tudo aquilo.
Já fazia muito tempo que não ia àquela parte da floresta. Os pequenos arbustos haviam crescido, transformando-se em árvores frondosas, e foi difícil encontrar o caminho que costumava percorrer. Acabou chegando a um banco no meio de uma clareira. Sentou-se para descansar e caiu em sono leve. Foi despertado por uma voz que chamava-o pelo nome: "Pedro! Pedro!"
Abriu os olhos e viu a mulher que encontrara havia tantos anos e que lhe dera a bola prateada com a linha dourada mágica. Aparentava a mesma idade que tinha no dia em questão, exatamente igual. Ela sorriu para ele.
- E então, Pedro, sua vida foi boa? - perguntou.
- Não estou bem certo - disse ele. - Sua bola mágica é maravilhosa. Jamais tive que suportar qualquer sofrimento ou esperar por qualquer coisa em minha vida. Mas tudo foi tão rápido. Sinto como se não tivesse tido tempo de apreender tudo que se passou comigo; nem as coisas boas, nem as ruins. E agora falta tão pouco tempo! Não ouso mais puxar a linha, pois isto só anteciparia minha morte. Acho que seu presente não me trouxe sorte.
- Mas que falta de gratidão! - disse a mulher. - Como você gostaria que as coisas fossem diferentes?
- Talvez se você tivesse me dado uma outra bola, que eu pudesse puxar a linha para fora e para dentro também. Talvez, então, eu pudesse reviver as coisas ruins.
A mulher riu-se. - Está pedindo muito! Você acha que Deus nos permite viver nossas vidas mais de uma vez? Mas posso conceder-lhe um último desejo, seu tolo exigente.
- Qual? - perguntou ele.
- Escolha - disse ela. Pedro pensou bastante. Depois de um bom tempo, disse: - Eu gostaria de tornar a viver minha vida, como se fosse a primeira vez, mas sem sua bola mágica. Assim poderei experimentar as coisas ruins da mesma forma que as boas sem encurtar sua duração, e pelo menos minha vida não passará tão rápido e não perderá o sentido como um devaneio.
- Assim seja - disse a mulher. - Devolva-me a bola. Ela esticou a mão e Pedro entregou-lhe a bola prateada. Em seguida, ele se recostou e fechou os olhos, exausto.
Quando acordou, estava na cama. Sua jovem mãe se debruçava sobre ele, tentando acordá-lo carinhosamente.
- Acorde, Pedro. Não vá chegar atrasado na escola. Você estava dormindo como uma pedra!
Ele olhou para ela, surpreso e aliviado.
Tive um sonho horrível, mãe. Sonhei que estava velho e doente e que minha vida passara como num piscar de olhos sem que eu sequer tivesse algo para contar. Nem ao menos algumas lembranças.
A mãe riu-se e fez que não com a cabeça.
Isso nunca vai acontecer disse ela. As lembranças são algo que todos temos, mesmo quando velhos. Agora, ande logo, vá se vestir. A Lise está esperando por você, não deixe que se atrase por sua causa.
A caminho da escola em companhia da amiga, ele observou que estavam em pleno verão e que fazia uma linda manhã, uma daquelas em que era ótimo estar vivendo. Em poucos minutos, estariam encontrando os amigos e colegas, e mesmo a perspectiva de enfrentar algumas aulas não parecia tão ruim assim. Na verdade, ele mal podia esperar. "

segunda-feira, 11 de março de 2013


O que há de errado?

Devo me punir?
Castigar-me por ter sido acertada
pela flecha de um menino travesso.
Menino este que simplesmente saca flechas
em sua aljava,
sem saber, e nem se preocupar
o que a seta trará.
Será amor ou ódio?
Melancolia? Ou saudade?

Mas o que há de errado em amar?
O que há de errado em sentir saudade?
O que há de errado em ter um momento
de tristeza romântica?








29 de Janeiro de 2011

Turbilhão de ideias

É maravilhoso sentir a cabeça fervilhando de ideia
A única coisa que importa verdadeiramente é a felicidade.
Se para ser feliz você necessita de amor, então ame. Ame da maneira pura e ingênua, da maneira que não espera nada do outro; ame como você ama à um animal: sem esperar nada em troca, sem cobrar os erros superficiais e sem se ater aos defeitos do ser amado.
Se para ser feliz você quer ser amado, então desperte amor, seja merecedor de atenção e cuidados; seja bom.
Se forem os amigos que lhe trarão a verdadeira felicidade, então cative pessoas, crie laços, cultive amizades.
E mais: Viva o momento de modo tão proveitoso que estaria completamente feliz em revivê-lo sempre, de vivê-lo por toda eternidade. Faça com que essa alegria, essa paz que tomou conta de seus momentos sejam os sentimentos fixos de cada dia.
Conquiste! Corra atrás de seus sonhos e objetivos e prometa à si mesmo nunca mais descumprir suas próprias promessas.
Prometa e cumpra tal promessa e

Embeleza qualquer pessoa


Roubar

"Existe apenas um pecado, um só. E esse pecado é roubar. Qualquer outro é simplesmente uma variação do roubo... Quando você mata um homem, está roubando uma vida; está roubando da esposa o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito a justiça."

O caçador de pipas, Khaled Hosseini

Lobo Tato

Antiguidades


Quando ver o meu olhar distante ;
Se notar um sorriso bobo se formar ;
Quando os olhos brilharem,
E a mente viajar...
Então saiba que estou pensando
em você e minha mente foi
para onde você está.

Se houver uma expressão sonhadora
e um olhar determinado...
Então saiba que é em você que sonho
e é você o objetivo da minha determinação.

Quando respirar se torna díficil
e o coração acelera
É este, então, o sinal de que você se aproxima...
Quando à seus olhos
eu me prender
e com seus lábios vermelhos
eu devanear,
então é a paixão que
vem me chamar...

Mas quando além
de uma obsessão é uma necessidade,
quando além de difícil parece impossível
e, mesmo assim, continuar...
Devo, então, entender que não é só paixão,
nem é apenas atração,
mais do que qualquer outra coisa,
isto é amor, não é ?
É amor? de Aline Wanderley.

Não mudei nem a cor, pois é outro dos fatores que me fazem rir desses textos antigos. Esse foi de Dezembro de 2010 e mesmo que não me lembre exatamente o momento-situação em que escrevi isso, eu lembro em quem estava pensando quando escrevi isso... Lembro também que, como ainda faço hoje, primeiro escrevi algumas palavras que me vieram à mente em um pedaço de papel e foram juntando palavras mais palavras e quando sentei para digitar chegou o resto e terminou o verso.

É antigo pelo tempo - mesmo que não faça tanto tempo assim - e é também antigo por ser antes de algumas passagens-mudanças que ocorrem conosco e nos fazem mudar um pouco (ou muito) do nosso eu.
E quando escrevo esse tanto de bobagens aqui já dou algumas risadas comigo mesma pensando que no futuro, vou sentar e vai acontecer essa mesma cena: De postagem em postagem, vou relendo palavras escritas em outra época, de uma outra forma mais ingênua do que a atualmente vigente.

Algumas verdades sobre o amor...


O amor

O amor é como uma rosa
bela visão ao longe
que encanta até um sábio monge.

Assim é o amor

Mesmo que possa ser frágil
pode ser também uma rosa selvagem
Que nasce e cresce sem ser semeada
mas que é sempre aguada 
pela chuva que vem e vai
sem chamado ou ordem.

E aquele que não mais é sóbrio
recita...
Assim é o amor.

Com sua inebriante fragrância
o amor encanta e engana.
Com sua charmosa elegância,
espanta.

Assim é o amor

Sem dó nem piedade
Tanto dá quanto subtrai
Não mata, mas tortura
Não revive, mas cura
Nem é agua nem é vinho
é um santo descaminho.

Assim é o amor 

Sem cura nem tratamento
só se vai com o tempo...
Mais ou menos tempo
Composto de sofrimento 
e também de sentimento

Assim é o amor

Com provações e testes
só sobrevive quem consegue
Fiel ou não, ouve-se as preces.
Só queira quem vos queres.

Assim é o amor,
disse um falso orador.

6 de Setembro de 2010


Ocupação
Uma hora escrita, outra cantada.
Risos, gritos... lágrimas.
Livre, leve ou solta.
Vista, ouvida ou lida.
De todos os jeitos ou de nenhum, 
tudo em mim ocupa.
Em paz ou em guerra.
Com ou sem luz.
Em preto ou branco,
com cores ou sem elas,
Tudo que de mim faz parte,
ocupa.

Abstrata
Serei então abstrata...
Abstrata em minhas declarações,
Abstrata em meus dizeres e em minhas palavras,
Abstrata em meus olhares e em minhas expressões.
Assim ficará em tua memória apenas o abstrato à ser decifrado.
E Talvez assim, interessa-te em decifrar o que esconde-se 
em cada linha e em cada metáfora,
em cada olhar e em cada desvio dele.
Talvez assim, abstrata, tu voltes aqui a cada noite,
à procura de entender o abstrato.

Tempo
Tantas coisas acontecem,
Tantas coisas acontecerão 
E eu só queria um tempo.
Um tempo longe de tudo,
Um tempo longe de todos.
Um tempo só pra mim !
Um tempo que eu pudesse ser assim:
Sem máscaras, sem disfarces e sem preocupações.
Só eu e um pouco mais de mim.

Flores
Nem tudo são flores, 
mas não só flores são belas.
Há, em cada visão, uma beleza.
Seja essa beleza oculta por outras visões
ou seja essa beleza exposta, assim como as flores.
Mas há quem só veja beleza naquelas flores 
mais caras, mais raras, mais complexas.
E no entanto, até a mais singela flor 
ainda assim é uma flor, e como flor será bela
e por isso, todos aqueles que sabem ver a beleza da vida, 
bela irão ver a simples flor.



Seja !
Seja e seja de novo !
Seja você e seja mais.
Seja diferente, mas seja coerente
Seja constante e seja intensa 
E seja melhor .
E então, mais uma vez, Seja !
Seja oculta e seja à vista
Seja infinita !

Algumas verdades sobre o amor
O amor é como uma rosa
bela visão ao longe
que encanta até um sábio monge.

Assim é o amor

Mesmo que possa ser frágil
pode ser também uma rosa selvagem
Que nasce e cresce sem ser semeada
mas que é sempre aguada 
pela chuva que vem e vai
sem chamado ou ordem.

E aquele que não mais é sóbrio
recita...
Assim é o amor.

Com sua inebriante fragrância
o amor encanta e engana.
Com sua charmosa elegância,
espanta.

Assim é o amor

Sem dó nem piedade
Tanto dá quanto subtrai
Não mata, mas tortura
Não revive, mas cura
Nem é agua nem é vinho
é um santo descaminho.

Assim é o amor 

Sem cura nem tratamento
só se vai com o tempo...
Mais ou menos tempo
Composto de sofrimento 
e também de sentimento

Assim é o amor

Com provações e testes
só sobrevive quem consegue
Fiel ou não, ouve-se as preces.
Só queira quem vos queres.

Assim é o amor,
disse um falso orador.
(Aline Wanderley)


Nos corredores profundos e secretos do nosso coração, existe uma sala. Ela é chamada Sala da Admiração. É para esta sala que vão os seus pensamentos quando você se depara com coisas positivas e encorajadoras a respeito do seu cônjuge. e com frequência, você gosta de visitar esse lugar especial.
Nas paredes estão escritas palavras gentis e frases que descrevem bons atributos do seu esposo ou da sua
esposa. Elas incluem características como "honestidade" e "inteligência", ou frases como "trabalho diligente", "comida maravilhosa" ou "olhos bonitos". São coisas que você descobriu sobre seu marido ou sobre sua esposa que ficaram gravadas em sua memória. Quando você pensa nessas coisas, a admiração que você tem pelo seu cônjuge começa a aumentar. De fato, quanto mais tempo você passa meditando nesses atributos positivos, mais grato você é pelo seu marido ou pela sua esposa.
A maioria das coisas da Sala da Admiração foi escrita nas fases iniciais do seu relacionamento. Você as resumiria nos aspectos que gostava e respeitava em seu(sua) amado(a). Elas eram verdadeiras, honrosas e boas. E você passou um bom tempo habitando com elas nesta sala... Antes de se casar. Mas, você deve ter notado que não visita esta sala especial com tanta frequência como fazia no passado. Isso acontece porque existe outra sala competindo com esta.
Mais adiante, outro corredor do seu coração leva à Sala da Depreciação e, infelizmente, você visita esta sala também. Nas paredes deste cômodo está escrito aquilo que seu cônjuge faz que lhe deixa chateado e irritado. Essas palavras foram escritas lá como resultado de frustrações, sentimentos feridos e expectativas não correspondidas.
Esta sala tem ligação com as fraquezas e falhas do seu marido ou esposa. Seus péssimos hábitos, palavras grosseiras e decisões erradas estão escritas em letras grandes que cobrem as paredes de um lado a outro. Se você permanecer por muito tempo neste cômodo, certamente ficará depressivo e pensará coisas do tipo, "Minha esposa é tão egoísta", ou "Meu marido é um imbecil", ou talvez, "Acho que casei com a pessoa errada".
Algumas pessoas escrevem coisas detestáveis nesta sala, onde censuras são ensaiadas para serem usadas como argumento na próxima briga. Ferimentos emocionais se inflamam aqui fazendo crescer as observações negativas nas paredes. É aqui que as munições são preparadas para a próxima luta e a amargura é espalhada como doença. As pessoas param de amar aqui.
Mas saiba de uma coisa: gastar tempo na Sala da Depreciação destrói casamentos. Os divórcios nascem nessa sala e os planos malignos são esquematizados lá. Quanto mais tempo você gastar neste lugar, mais o seu coração desvalorizará seu cônjuge. Este processo tem início no momento em que você passa pela porta desta sala, já que todas as vezes que uma marca é deixada lá a importância dada ao seu cônjuge diminui.
Você pode dizer, "Mas o que escrevo lá é verdade!" Sim, mas o que está escrito na Sala da Admiração também é verdade. Todos falham e possuem áreas que precisam de crescimento. Todos têm questões não resolvidas, feridas e cargas pessoais. Este é um aspecto triste do ser humano. Todos nós pecamos. Mas temos essa tendência infeliz de subestimar nossos atributos negativos enquanto colocamos os do nosso próximo sob uma lente de aumento.

Vamos analisar a verdadeira questão aqui. O amor tem conhecimento da Sala da Depreciação e não vive negando sua existência.
Mas o amor escolhe não viver nela.

(O Desafio de Amar)

Sinos de Harmonia

Soa ao longe o sino.
Foi o vento que o agitou e fez audível aquele delicioso som. Som, este, que um anunciou a presença constante de bons ventos nessa casa branca. Todos paravam para ouvi-lo, apreciá-lo e hoje em dia está esquecido.
Aquelas brisas boas parece que cessaram, não é mais o mesmo sorriso no rosto, já não é mais aquela mesma felicidade na casa branca.


Sabe aqueles dias em que tudo é cinza? O sol teima em não irradiar a sua felicidade, a chuva não está trazendo o arco-íris,

Cubo (Galantemente) Mágico

Já faz bastante tempo que eu escrevi sobre esse ser tão fascinante. Acho que já faz quase dois anos... Imagine, quanto tempo e quantas coisas - sim, tive que usar esse termo universal que descreve muitas 'coisas' pois foi uma mistura de muito e faria uma lista grande demais - se passaram! Mas vou dizer uma coisa, o dito cujo esteve comigo, me protegendo entre seus braços desde sempre e agora, quando eu disser que vai ser para sempre assim, não vá você achar que eu sou uma dessas garotinhas falando sobre um amiguinho que acabou de conhecer; talvez eu até seja uma garotinha assim, vai saber! No entanto neste momento, que falo sobre essa pessoa eu tenho certeza absolutíssima sobre o que estou dizendo. Sei disso pois nós passamos por algumas 'barras' e cá estamos mais unidos do que nunca.
Certas vezes a briga foi por causa de jogos, depois foram causadas por hormônios descontrolados, e houveram outras mais por diversos outros motivos... Algumas dessas brigas foram mais sérias e chegaram a abalar nossos laços durante o tempo que duraram, outras foram rapidamente resolvidas com um "quando eu entrar eu vou jogar mais tempo" e outras resoluções assim.
Sinceramente, realmente não sei o que fez de nós tão amigos, o que fez a nossa relação diferente de tantas outras, mas ela é assim e eu adoro isso.
Eu me desenvolvi e evolui com ele; e acho que ele aprendeu ao menos a como 'zerar' um jogo que me é o preferido.
Não vou citar nomes; acredito que, para aqueles que conhecem nós dois, certas características denunciarão a pessoa da qual falo.
É o tipo de pessoa que as vezes é meio difícil de interpretar, como um cubo mágico... talvez eu também não tenha aprendido ao certo como decifrá-lo. Certos momentos tenho quase certeza que estou conseguindo e então percebo que tem uma pecinha fora do lugar e tenho que começar tudo de novo.
Entretanto eu o conheço suficientemente bem para decifrar algumas emoções, algumas reações, algumas mensagens ocultas. Às vezes, sem que eu pergunte, ele vem e me confirma o que já estava tamborilando em minha mente. Outras vezes ele não fala nada, e fico sem saber se o que pensei foi certo ou errado.
Ele têm uma certa habilidade em pôr interrogações nas mentes da gente. É um poeta, boêmio, conquistador. Seu jeito galante, sua beleza, suas palavras enlaçam qualquer garota, mas não é qualquer garota que consegue enlaçá-lo. E digo mais, aquela que o consegue, considere-se sortuda. É um dos mais românticos que conheço.


O destino é uma coisa total e completamente irreal.
Ninguém nasceu para uma pessoa, profissão, ou para coisa alguma. Não se vem ao mundo


Estava olhando os 


Complexo Julieta

Sabe Julieta, aquela das histórias de Shakespeare; todo mundo diz que, segundo a história a familia de Julieta não a queria ela com Romeo, certo? Odiavam essa ideia.


Mil dias em Veneza

"Eu sempre quis que alguém cantasse para mim, sabe, mas agora descobri que o que mais quero é cantar para você"
página 34.

"Algumas semanas atrás, eu nem teria olhado essas aves, nem sequer as teria escutado. Agora me sinto parte das coisas. Sim, me sinto conectado.Acho que é essa a palavra. Já me sinto casado com você, como se sempre tivesse sido casado com você, mas não conseguisse encontrá-la. Nem me parece necessário pedi-la em casamento. Parece melhor dizer: por favor, não se perca de novo. Fique perto. Fique bem perto de mim. - Ele te a voz de um menino contando segredos."
página 35.

De um jeito emiliano

Só entende quem conhece, e eu que não conhecia, conheci e é incrivel!

Um mundo de As

Todas as personagens são reflexos de minha personalidade.
Todas são Aline.

Retorno das ideias

"Assim que experimentar o gosto de escrever para valer, no momento em que perceber o brilho das palavras, tão logo sinta seu poder, você não vai querer fazer outra coisa. As palavras vão despertá-lo de seu sono. Palavras que jamais notou antes vão causar-lhe admiração ao tremeluzir de um modo novo, ao mudar de forma, levando-o a regiões mais profundas."

"Em certos dias você escreve com entusiasmo. Acorda cedo com uma ideia que não pode esperar. Nem sequer escova os dentes, nem faz café, tampouco lê o jornal ou dá comida ao gato. Pé ante pé para não acordar a família, chega ao local de escrever e enche página após página do caderno. Quando dá por si, é quase meio-dia, e já esboçou dois personagens, escreveu duas histórias de fundo, um sonho bárbaro e um diálogo maravilhoso. Completou uma cena excelente, aquela que temia jamais terminar. Esboçou uma sequência de quatro outras cenas ligadas à primeira. Embora esteja surpreso pela rápida passagem do tempo, também está satisfeito com o trabalho que fez.
Pois saboreie esses dias. São uma dádiva do insondável cosmo."

O escritor de fim de semana, Robert J. Ray

Esses 'certos dias' meus em geral são noites; madrugadas repletas de turbilhões de ideias, ansiosas para virarem palavras, frases, parágrafos. Hoje, em especial, foi a noite em que esse fenômeno maravilhoso voltou a acontecer, depois de muitos e muitos meses durante os quais minha antiga prática constante havia adormecido profundamente, havia enferrujado. Foi então que Ruby Sparks atuou como minha Dorothy, pegou a lata com óleo e lubrificou minhas juntas, e agora estou bem novamente.
E a vontade de passar a madrugada toda deixando que as ideias que estão fervilhando na mente escorram para o papel é imensa, mas infelizmente o cansaço e o sono já estão começando a atrapalhar...
Vou tentar, ainda assim, escrever. É um erro não escrever as ideias quando elas lhe vêm à mente e um pecado terrível deixar que elas se percam, sem ser escritas.