sábado, 16 de março de 2013

Cortejar a insanidade

Intimamente devo pensar que me achará estranha se eu for como eu sou... Mas eu sou estranha, sabe? Sou meio antiquada, todavia também tenho a mente aberta para novas possibilidades. Não sei dançar, mas adoro fazê-lo. Às vezes (muitas vezes!, diga-se de passagem) eu vou ficar quietinha mesmo morrendo de vontade de deixar a música agitar meu corpo; a explicação que tenho para isto é que nessas certas ocasiões aquele meu lado super tímido domina e me prende - mesmo com todos os esforços de minha parte para tentar deixá-lo sempre oculto -.  Logo se faz necessário um estímulo que faça esse lado ficar quietinho 'na dele'...
Também adoro chuva! Quando as gotinhas iniciam sua queda e o cheiro de terra molhada começa a ser detectado pelos meus sentidos dá uma vontade imensa de abrir os braços para abraçar a chuva e levantar o rosto em direção ao céu, com os olhos fechadinhos, para sentir cada gotinha travessa que tocar minha face e escorregar por ela.
No entanto, antes que a vontade comece a movimentar o meu corpo para deleitar-se, todos já estão escondidos, protegidos da chuva. E acho maravilhoso quando, ao invés de puxar-me para um abrigo, saboreiam comigo a chuva; e ainda mais maravilhoso quando tiram-me para dançar. Portanto, se começar a chover, não corra da chuva: deixe que as gotas molhem seus cabelos e deslizem pelo seu corpo; permita que o sol que tem dentro de você seja externizado em sorrisos, melodias e dança.
Visto que dançar é ótimo e que, com a pessoa de quem se gosta, é melhor ainda, pois então bailar movido apenas pela alegria (sem ao menos precisa de música audível aos ouvidos daqueles que não estão envoltos por essa felicidade), sob os pingos de chuva e com a pessoa amada... não tem preço!
Por isso, meu bem, não hesite em tirar-me para dançar no meio do nada, sem que haja música tocando; não hesite em provocar-me a provar dessas loucuras momentâneas, visíveis apenas aos olhos daqueles que estão atentos para ver. Adoro ser provocada!
Incite-me a cortejar a insanidade e cante comigo o coro desafinado dos contentes. Tire-me do sério, leve-me por loucos caminhos. Faça-nos vibrar em outra frequência, dançar no silêncio, nadar contra a corrente.

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