Além do vigia, apenas mais alguns mortais estavam acordados, como o casal que morava na terceira casa da vila em frente ao mercadinho Santa Catarina. Eles estavam discutindo, provavelmente porque o homem chegou tarde da noite em casa.
Além da discussão do casal, podia-se ouvir um cachorro perturbado latindo no primeiro andar de uma casa, uma jovem teclando em frente ao computador e uma sirene que parecia a de um de polícia, que vinha da moto que rondava pela rua, possivelmente para provocar medo aos assaltantes que planejavam atacar à noite. O homem que pilotava estava despreocupado, apesar de ser o único na rua, exceto os bêbados locais que riam sentados em um lugar protegido da chuva, A única parte aparente do corpo era o rosto pálido devido à ventania fria e as gotas d'água, que se prendiam as sobrancelhas grossas e escorregavam pela ponte do nariz, chegando à ponta e pingando lentamente. As orelhas eram cobertas pelo capacete preto, que também cobria a cabeça raspada, de onde já aparecia uma camada de cabelos finíssima.
Enquanto rondava, a sentinela viu de frente ao beco ladeado de casas, um homem com uma calça jeans escura e uma camiseta azul Royal acabava de adentrar, pelo corredor que dava acesso às portas. Ao ver aquela figura estranha com os braços despidos no frio, o vigia primeiro achou estranho, mas logo buzinou para que ele virasse.
Tirando a pistola do cinto, ele parou a uns dez metros de distância e gritou, ordenando que o homem coloca-se as mãos na cabeça.
Ao ouvir os gritos da sentinela, o estranho virou bem lentamente e falou em uma voz irônica:
- Como disse?
- Você ouviu muito bem, idiota!
- Se você falou, eu não ouvi. - Zombou o jovem - Repita!
- Ponha as mãos na cabeça e abra as pernas.
- Se você está pedindo tanto...
O homem pretendia falar algo, mas antes que pudesse abrir a boca o homem estava atrás dele, prendendo suas mãos à cabeça e abrindo-lhe as pernas.
- Sinceramente, você não era a vítima, mas você abusou demais da minha paciência.
Antes que o homem pudesse sequer gritar, o jovem segurou a cabeça do infortunado vigia e quebrou seu pescoço, deixando o corpo inerte no chão.
Sarcástico, deu uma olhada para o corpo e virou-se em direção ao beco.
Em passos leves avançou até a terceira casa à direita, onde o casal ainda discutia indiferente aos sons externos. Não bateu à porta, não chamou pelos moradores e nem ao menos destrancou a porta, O estranho deu um chute no meio da divisória entre a parte de cima e a parte de baixo da porta de madeira e elas se abriram, revelando o casal e o pequeno cômodo que deveria ser a sala de estar da pequena casa.
A discussão cessou com um grito da mulher, que se abraçou com o marido, tremendo de medo.
- Saia da minha casa, seu vagabundo!
Em segundos o estranho desapareceu da porta de entrada e estava atrás da mulher, onde antes estava o marido, que agora estava inerte no chão, com o crânio quebrado, jorrando sangue.
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