sábado, 1 de dezembro de 2012

O Morro dos Ventos Uivantes

"[...] ele nunca saberá como eu o amo; e não é por ele ser bonito, Nelly, mas por ser mais parecido comigo do que eu própria. Seja qual for a matéria de que as nossas almas são feitas, a minha e a dele são iguais, e a de Linton é tão diferente delas como um raio de lua de um relâmpago, ou a geada do fogo."

"Não sei como explicar, mas certamente que tu e toda a gente têm a noção de que existe, ou deveria existir, um outro eu para além de nós próprios. Para que serviria eu ter sido criada se apenas me resumisse a isto? Os meus grandes desgostos neste mundo foram os desgostos de Heathcliff, e eu acompanhei e senti cada um deles desde o início; é ele que me mantém viva. Se tudo o mais perecesse e ele ficasse, eu continuaria, mesmo assim, a existir; e, se tudo o mais ficasse e ele fosse aniquilado, o universo se tornaria para mim uma vastidão desconhecida, a que eu não teria a sensação de pertencer. O meu amor pleo Linton é como a folhagem dos bosques: irá se transformar com o tempo, sei disso, como as árvores se transformam com o inverno. Mas o meu amor por Heathcliff é como as penedias que nos sustentam; podem não ser um deleite para os olhos, mas são imprescindíveis. Nelly, eu sou o Heathcliff. Ele está sempre, sempre, no meu pensamento. Não por prazer, tal como eu não sou um prazer para mim própria, mas como parte de mim mesma, como eu própria. Portanto, não voltes a falar na nossa separação, pois é algo impraticável, e..."

Catherine.
O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë.

Minha atual leitura... (:

Acorda, colibri

Farei de amanhã um novo dia, farei de amanhã um dia como antes. E os seguintes serão como no passado, revivendo a paz, a união, a alegria que existia nesses dias.
Cometemos erros constantemente, tomamos decisões o tempo todo e nem sempre essas decisões iluminam tudo aquilo que queremos que perdure. Certas vezes nós tentamos consertar de imediato o ponto em que erramos, outras vezes deixamos assim acreditando que 'tudo irá se resolver' e as vezes nem notamos o quão errado estão as coisas. E o tempo vai passando, vai se perdendo...
Então quando nos damos conta de que nada se resolve sozinho ou quando notamos que tem muita coisa fora do lugar, tentamos consertar. É assim que se faz, certo? Eu não sei, acho que sim. Mas o que se faz com o orgulho que teima em querer lhe controlar? e com a falta de coragem para começar as mudanças? e com todos os 'contras' que querem que você permaneça 'na sua'? Existem razões para tudo isso, você sabe que sempre vem comentários sobre ações que vão contra o que você fez anteriormente; sempre é assim, faz parecer que você está perdendo algum tipo jogo.
Mas a questão é que às vezes precisa-se perder para poder ganhar, pois nem sempre insistir em ganhar esse tipo de jogo trará uma vitória prazerosa, um prêmio realmente recompensador.
E sim, agora eu sei, eu tenho certeza: estive sendo péssima, estou sendo uma pessoa ruim. Mas eu sou assim? Sou uma pessoa tão ruim? Não quero ser.
A mudança começa de dentro, é o que dizem por aí, não é? Seja como for, acredite no que acreditar, para mim isso é algo que se deve crer. E algo mudou aqui dentro, algo se acendeu e está a iluminar todo o meu ser... e farei com que essa luz brilhe, amplie-se e ilumine o mundo lá fora.

'Acorda, colibri! Não deixe que a luz do dia se vá sem iluminá-lo, não permita que as flores morram antes de serem saboreadas, não admita que a felicidade saía do caminho de seu voo.'

Para Sempre

"Eu me comprometo a ajudá-lo a amar a vida, a sempre abraçá-lo com ternura, e ter a paciência que o amor exige. Para falar quando palavras forem necessárias, e compartilhar o silêncio quando não forem. E viver no calor do seu coração, e sempre chamar de lar."

"Eu me comprometo a amá-la seriamente, em todas suas formas. Agora e para sempre. Prometo que nunca vou esquecer que esse é um amor para toda a vida. E sempre sabendo na parte mais profunda da minha alma, que não importa que desafios venham a nos separar, sempre encontraremos um caminho de volta para o outro."

The Vow (Para Sempre)

Zelo de amor

Estes são aspectos daqueles que quase ninguém conhece, quase ninguém nota.
No entanto quando trata-se de ciúme sou difícil. Difícil não no sentido de sentir ciúmes de tudo, mas sim no sentindo de não deixar à mostra essa demonstração de 'zelo de amor' - assim como o dicionário define tal palavra. 
E realmente não vou tocar no assunto e nem deixar que descubram. Não sei porque, mas eu sou assim. Desse modo só ficará à vista que no meu interior há um redemoinho que está se tornando cada vez mais forte no momento em que tal redemoinho realmente estiver muito forte e já não couber em mim. Então, moço, quando notar que estou um pouco diferente e passar por aquelas perguntas de:
"Está tudo bem?" "Está"; "Aconteceu algo" "Não, não aconteceu nada"; "Então me dá um beijo" "Vai pedir beijo para aquela menina que estava curtindo seu status" você vai perceber o quanto ciumenta eu sou, mesmo que não fale, não demonstre e quase nunca me zangue por causa disso.
No entanto, mesmo não deixando aparente isso e ainda que não esteja acontecendo nada, que não haja motivo nenhum para sentir ciúme de verdade, eu vou ficar meio cabisbaixa e sem dúvida alguma imaginar que pode estar acontecendo mil coisas enquanto está ausente. Não é por desconfiança, é claro; eu confio em você. Na verdade eu acho que é só porque mulher tem dessas coisas. E, se te perguntar algo relacionado a sua fidelidade à mim, por favor, não fique bravo; é que as vezes o coração aperta, mesmo sem motivo, e fico com 'caraminholas na cabeça' e isto é por mim, não por você. Eu acredito quando diz que não vai me trair, mas é que às vezes é bom ouvir isso, me faz sentir mais confiante ver no seu olhar sinceridade enquanto diz essas palavras. E eu provavelmente não vou perguntar nunca sobre aquela foto que talvez ainda esteja guardada em seu quarto, mas só de pensar que ainda está ai, sinto ciúmes...
E às vezes eu odeio essa minha mania de escrever tudo o que em geral fica escondido e deixar à mostra para quem quiser saber... porém, não sei como largá-la, este é um aspecto visível da minha personalidade.

sábado, 10 de novembro de 2012

sábado, 29 de setembro de 2012

Meninices

Por trás dessa cara durona, existe um sorriso e um brilho no olhar esperando que alguém venha e lhes tire do casulo.
Estou querendo sorrir.
E rir; gargalhar bem alto, e depois ri da minha risada estranha. Correr, sentindo o vento. Abraçar forte. Ficar rodando na areia, até ficar tonta, e ai andar para frente sentindo aquele 'perigo' de cair na areia. Cantar desafinado, junto com mais alguém também cantando desafinado. Deitar na água, senti-la como um colchão, cujo teto que o protege da chuva é o mesmo que a deixa passar. Eu estou querendo fazer todas aquelas meninices - mesmo as que não foram citadas -, aqueles que fazem os meninos que não estão nem ai para a seriedade das coisas. Quero brincadeirinhas de crianças para cessar por um instante com essa coisa de ficar séria, de tudo ser sério, das conversas só serem conversas séria sobre futuros e profissões... quero as conversas sobre o agora, sobre o próximo lugar a visitar, sobre... sobre o que vier à cabeça.
O que eu quero é me sentir feliz. Sentir viva.

Snoop



domingo, 23 de setembro de 2012

Vamos viver de brisa?

"Vamos viver no Nordeste, Anarina.
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.
Deixarás aqui tua filha, tua mãe, teu marido, teu amante.

Aqui faz muito calor.

Lá no nordeste faz calor também.
Mas lá tem brisa.
Vamos viver de brisa, Anarina."

Manuel Bandeira

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Se tem asas, é para voar.

E não para ficar preso em um mural ou gaiola. Vai você tentar domar um colibri, não vai conseguir. Tem que cuidá-lo bem e assim fazer com que volte por si mesmo, sem amarras, sem correntes e sem prisões, voltando porque quer estar com você. Com as borboletas se dá o mesmo, cuide do seu jardim e ela sempre irá retornar a ele, uma hora ou outra.


Amontoado pequeno

Certos dias, da minha janela, posso ver uma estrela. É algo estranho de se falar, no entanto essa é a minha estrela favorita. É a mais reluzente no céu noturno e a que chama minha atenção mais do que qualquer outra.
Por algum motivo que desconheço, é normal eu acordar diversas vezes durante a noite; é costume também levantar um pouco a cabeça, todas as vezes que acordo nas noites, só para ver se a minha estrela está lá. E na maior parte do tempo, está.
Essa minha estrela é de um tom dourado, e não sei se é por alguma anormalidade da minha visão ou se ela é mesmo assim, mas eu vejo ela sempre com oito pontas mas as vezes pulam mais algumas discretamente do centro para o exterior, aumentando o número de raios que saem da minha estrela.
E por mais que descreva a minha estrela, ninguém vai pensar ela como eu vejo. Ela é única para mim e ninguém pode vê-la como eu vejo, pois meus olhos só eu tenho.
Em geral eu escrevo muitas palavras que se amontoam e formam um texto grande... esse amontoado de letras deve despertar uma preguiça de ler em algumas pessoas - se é que alguém ainda passa por aqui, depois de tanto tempo acumulando teias, sem novas palavras, sem mais pensamentos soltos -, mas aqui está uma exceção a essa mania de escrever amontoados grandes de letras pequenas.
Paro por aqui, vou olhar minha estrela.

Pó de Lua: II Ato: Você vai, Eu Pulo.


Pó de Lua: II Ato: Você vai, Eu Pulo.


-Eu só vou se você for.
Disse o menininho com meias até o meio das canelas.
-Não, eu só vou se você for.
Disse a menininha de franja até o meio da testa.
Deram as mãos. Iam pular.
-Eu não quero mais ir.
Disse o menininho.
-Agora eu quero.
Disse ela.
-Vai.
-Eu só vou se você for.
-Por quê?
-Porque você disse que me amava.
-Disse. Mas eu não quero ir.
-Se você me amasse iria comigo.
Ficou decepcionada a menina. Ele morria de medo de altura, ficou desesperado. Agora ela duvidava.
Teve uma ideia. 
Soltou a mão dela, desceu do canteiro de areia pela escadinha e se deitou lá embaixo, de braços abertos.
-Pronto, pode pular em cima de mim!


Clarice Freire. 

Excentricidades de um Colibri

Cabeça caída para trás, turbilhões de pensamentos agitam essa mente viajante




terça-feira, 4 de setembro de 2012

Dogmas de um apaixonado...


Do teu riso,
o meu sorriso surgia.
Dos teus beijos,
minha respiração se fazia.
Do teu brilho,
minha luz necessita.
Na minha mente,
tua imagem domina.
No teu olhar,
vejo-me refletida.
Ao teu lado,
minha felicidade caminha.
Com você,
o sorriso recusa-se a ir.
Pra você apenas
só os mais belos sorrisos.
Pois foi a ti
que meu coração foi laçado
Coração, este, que nunca imaginou
ser despedaçado...
Se quiser, volte, pois
ainda há em mim os estilhaços
Que talvez possam ser novamente
juntados.
Por enquanto,
as lágrimas continuarão saindo de mim.
Enquanto eu espero fervorosamente
por ti.
Você não se recusará a vir
Sabendo que minha vida
depende eternamente de ti.


Sempre dou algumas risadas relendo esses textos antigos, escritos por um eu diferente do que sou hoje... ao menos nos aspectos gerais afinal essa Aline ainda está quietinha aqui no cantinho dela, dando-me algumas das características e manias que tenho.

A Primavera das Poesias

Ainda lembro-me quando tolamente respondia ao meu pai quando me vinha com um livro de poesias "Não gosto de poesias, não faz a gente sentir nada, não é como os livros." E disse tal frase, com algumas ramificações mas com o mesmo sentido diversas vezes e não abria a mente para saborear os versos.
Ele trouxe-me diversos poetas com diversas poesias mas a opinião do meu eu mais novo não mudava.
No dia que chegou com um livro da Primavera das Poesias - como me apresentou a fantástica Cecília Meireles - o meu ver dos versos mudaram completamente.
Então, todas as manhãs, sentávamos ao redor da nossa mesa de vidro, iluminada pelo sol delicado da manhã e liamos Cecília.
Cá estou para relembrar daquelas épocas pintadas de poemas e sol que também fazem lembrar as épocas douradas do NossoCaffeLatte, cuja postagem inaugural foi exatamente sobre poesias e Cecília, e o despertar do gosto pelos versos.
[...] "essa que por muito tempo me passou para trás, sempre me desinteressando no último momento, e minha ideia sobre ela é muito positiva, quando se lê a poesia simplesmente, ela não passa de palavras numa página, sem vida, sem emoção, sem nada, mas assim também seria se eu me pusesse a ler os grandes livros de romance sem me deixar levar pela história, imaginando o que eu vejo nas palavras.
No entanto, quando a poesia é lida como deve ser, dando-lhe ritmo como uma música, seja rimada ou não, deixando que ela mostre toda sua sentimental exuberância, característica essa que eu não usaria no dia a dia, mas que é a melhor para definir a poesia, que acima de tudo impõe emoção, ela se torna tão divertida e fluente quanto os melhores romances, levando em conta, é claro, que a poesia é algo muito mais livre e estreito. Não se deve ler um livro de poesia como outro qualquer, mas manter uma linha, seja reta ou não, escolhendo os poemas sobre os quais o assunto interessa e deixando que o poema se expresse, sem dar uma conotação de um capítulo de um livro, mas de um livro dentro de outro.
Quanto a Cecília Meireles, não posso recitar uma lista de características sobre ela, mas posso dizer que todos os poemas que li, gostei" [...]
Sam Cromwell para NossoCaffeLatte

Não vou escrever muito palavras minhas, só quero pintar aqui também com poesias de Cecília, tiradas de sua Antologia Poética de 1963 e recitadas em um dueto poético... Ele começou e eu retribuir, depois nos despedimos; voltamos a regar a outra manhã com poesias e depois de despertado o interesse já podíamos misturar os artistas.

Eco

Alta noite, o pobre animal aparece no morro, em silêncio.
O capim se inclina entre os errantes vaga-lumes;
pequenas asas de perfume saem de coisas invisíveis:
no chão, branco de lua, ele prega e desprega as patas, com sombra.

Prega, desprega, pára.
Deve ser água, o que brilha como estrela, na terra plácida.
Serão jóia perdidas, que a lua apanha em sua mão?
Ah!... não é isso...

E alta noite, pelo morro em silêncio, desce o pobre animal
[sozinho.
Em cima, vai ficando o céu. Tão grande. Claro. Liso.

Ao longe, desponta o mar, depois das areias espessas.
As casas fechadas esfriam, esfriam as folhas das árvores.
As pedras estão como muitos mortos: ao lado um do outro, mas
[estranhos.
E ele pára, e vira a cabeça. E mira com seus olhos de homem.
Não é nada disso, porém...

Alta noite, diante do oceano, senta-se o animal, em silêncio.
Balançam-se as ondas negras. As cores do farol se alternam.
Não existe horizonte. A água se acaba em tênue espuma.
Não é isso! Não é isso"
Não é a água perdida, a lua andante, a areia exposta...
E o animal se levanta e ergue a cabeça, e late... late...

E o eco responde.

Sua orelha estremece. Seu coração se derrama na noite.
Ah! para aquele lado apressa o passo, em busca do eco.


Ar livre

A menina translúcida passa.
Vê-se a luz do sol dentro dos seus dedos.
Brilha em sua narina o coral do dia.

Leva o arco-íris em cada fio de cabelo.
Em sua pele, madrepérolas hesitantes
pintam-se leves alvoradas de neblina.

Evaporam-se-lhe os vestidos, na paisagem.
É apenas o vento que vai levando seu corpo pelas alamedas.

A cada passo, uma flor, a cada movimento, um pássaro.

E quando pára na ponte, as águas todas vão correndo,
em verdes lágrimas para dentro dos seus olhos.

Palavras de Sam

Estava seco, como uma caneta que escreveu demais. E vagava e vagava, a rir, encontrando e desencontrando, com companhias inigualáveis e fantásticas, mulheres de atitude com AC/DC no sangue e álcool... Muitas mulheres com muitas pílulas. Com amigos de fraco caráter e muita honra. Estava perdido. Um poeta melancólico e um boêmio dividindo o mesmo corpo.
Estava na hora de encontrar uma âncora, algo p
ara infantilizá-lo e fazer brotar seu romantismo fajuto, estava farto de coisas falsas: falsas alegrias e falsas tristezas. Cheio de apetite por bebida e beijos doces. Era um leão sem savana, uma águia voando baixo num céu de jade. Faminto por corpos jovens e X-Duplos de esquina.
Não infeliz, mas não feliz ainda assim. Agradecido e satisfeito pelo que tinha e morrendo em si mesmo pelo que não tinha. Admirador de vestidos de verão, sorrisos verdadeiros e olhos curiosos. Escritor de palavras sem sentido e textos cheios de significado. Bêbado de felicidade e cerveja numa madrugada de sexta, esperando tudo de melhor da vida...
Fanaticamente querendo despejar criatividade sobre a borda alta de sua alma. É complicado, sim, sem dúvida é. Mas sou eu.

Wellington Wanderley Barros Junior

Mais um texto do Sam que eu adoro.

Apelo

Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.

Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.

Sentia falta da pequena briga pelo sal no tomate — meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.

Apelo, Dalton Trevisan

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Estamos com fome de amor

O que temos visto por ai ???
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes.

Com suas danças e poses em closes ginecológicos, corpos esculpidos por cirurgias plásticas, como se fossem ao supermercado e pedissem o corte como se quer.... mas??? 

Chegam sozinhas e saem sozinhas...
Empresários, advogados, engenheiros, analistas, e outros mais que estudaram, estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos...
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dancer", incrível.

E não é só sexo não!

Se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?
Sexo se encontra nos classificados, nas esquinas, em qualquer lugar, mas apenas sexo!
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho, sem necessariamente, ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico na cama .... sexo de academia . . .

Fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçadinhos, sem se preocuparem com as posições cabalísticas...
Sabe essas coisas simples, que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção...
Tornamo-nos máquinas, e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós...
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada nos sites de relacionamentos "ORKUT", "PAR-PERFEITO" e tantos outros, veja o número de comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra viver sozinho!"
Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários, em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis, se olharmos as fotos de antigamente, pode ter certeza de que não são as mesmas pessoas, mulheres lindas se plastificando, se mutilando em nome da tal "beleza"...

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento, e percebemos a cada dia mulheres e homens com cara de bonecas, sem rugas, sorriso preso e cada vez mais sozinhos...
Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário...
Pra chegar a escrever essas bobagens?? (mais que verdadeiras) é preciso ter a coragem de encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa...
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia isso é julgado como feio, démodê, brega, famílias preconceituosas...

Alô gente!!! Felicidade, amor, todas essas emoções fazem-nos parecer ridículos, abobalhados...

Mas e daí? Seja ridículo, mas seja feliz e não seja frustrado...
"Pague mico", saia gritando e falando o que sente, demonstre amor...
Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais...

Perceba aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, ou talvez a pessoa que nada tem haver com o que imaginou mas que pode ser a mulher da sua vida...
E, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois...
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza ? 

Um ditado tibetano diz: "Se um problema é grande demais, não pense nele... E, se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele?"
Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo, assistir desenho animado, rir de bobagens e ou ser um profissional de sucesso, que adora rir de si mesmo por ser estabanado...
O que realmente, não dá é para continuarmos achando que viver é out... ou in...
Que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, que temos que querer a nossa mulher 24 horas, maquiada, e que ela tenha que ter o corpo das frutas tão em moda, na TV, e também na playboy e nos banheiros, eu duvido que nós homens queiramos uma mulher assim para viver ao nosso lado, para ser a mãe dos nossos filhos, gostamos sim de olhar, e imaginar a gostosa, mas é só isso, as mulheres inteligentes entendem e compreendem isso.

Queira do seu lado a mulher inteligente: "Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida"... 

Porque ter medo de dizer isso, porque ter medo de dizer: "amo você", "fica comigo", então não se importe com a opinião dos outros, seja feliz!

Antes ser idiota para as pessoas que infeliz para si mesmo!

Estamos com fome de amor, Arnaldo Jabor

Para ler, divulgar e . . . praticar.
Extraído do blog "Devaneios".

O PEIXE

O Peixe saiu da água para comer a casca do coco. O Peixe era bem grande, o Peixe era malvado e comeu a planta; primeiro ele lambeu e depois comeu. Ai veio um monte de peixes pequenos que era o pai e a mãe do Peixe Grande, o filho
chupeta, o peixe tubarão e o outro filho tubarão. Ai veio o mosquito pequeno e a formiga voadora. Os outros peixes subiram no Peixe Grande e subiu no cavalo vermelho e no branco e no tubarão de parque, um cavalo com carroça e outro sem carroça. E foram para o parque e tinha uma praia misturada com piscina e um escorrego de balançar e cai na água e tinha um avião vermelho, azul, verde, cor de laranja e branco.

O mosquito foi para água primeiro e depois a formiga voadora, eles voaram da água para o céu, e tinha uma lua amarela, eles foram primeiro para a lua e tinha uma porta na lua nos dois lados e eles entraram na lua.

Ai o Peixe (pequeno) voo com o cavalo, o cavalo foi para a lua com o peixe e pegou os peixes num cavalo branco, preto, marrom e vermelho. E eles voaram. Os peixes cairam. O Peixe Grande saiu voando com o cavalo. Ai o Peixe acordou.

Juninho, 2 anos. Janeiro de 1998.

[ Primeira história do Sam, ditada por ele e datilografada (DATILOGRAFADA) pelo nosso pai.]


A genialidade e o talento para a escrita, vem desde cedo!
Esse texto sempre me faz rir. Adoro ele.

Sonetos de Amor

"Senhora minha muito amada, grande padecimento tive ao escrever-te estes malchamados sonetos e bastante me doeram e custaram mas a alegria de oferecê-los a ti é maior que uma campina. Ao propô-lo bem sabia que ao costado de cada um, por afeição eletiva e elegância, os poetas de todo tempo alinharam rimas que soaram como prataria cristal ou canhonaço. Eu, com muita humildade, fiz estes sonetos de madeira, dei-lhes o som desta opaca e pura substância e assim devem alcançar teus ouvidos. Tu e eu caminhando por bosques e areias, por lagos perdidos, por cinzentas latitudes recolhemos fragmentos de pau duro, de lenhos submetidos ao vaivém da água e da intempérie. De tais suavíssimos vestígios construí com machado, faca, canivete estes madeirames de amor e edifiquei pequenas casas de quatorze tábuas para que nelas vivam teus olhos que adoro e canto. Assim estabelecidas minhas razões de amor te entrego esta centúria: sonetos de madeira que só se levantaram porque lhes deste a vida." Outubro de 1959

Manhã
"Tenho fome de tua boca, de tua voz, de teu pelo,
e pelas ruas vou sem nutrir-me, calado,
não me sustenta o pão, a aurora me desequilibra,
busco o som líquido de teus pés no dia.

Estou faminto de teu sorriso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,
quero comer tua pele como uma intacta amêndoa.

Quero comer o raio queimado em tua beleza,
o nariz soberano do arrogante rosto,
quero comer a sombra fugaz de tuas pestanas

e faminto venho e vou olfateando o crepúsculo
buscando-te, buscando teu coração ardente
como uma puma solidão de Quitratúe."
(Soneto XI, página 17)

Tarde
"Ai de mim, ai de nós, bem-amada,
só quisemos apenas amor, amar-nos,
e entre tantas dores se dispôs
somente a nós dois ser malferidos.

Quisemos o tu e o eu para nós,
o tu do beijo, o eu do pão secreto,
e assim era tudo, eternamente simples,
até que o ódio entrou pela janela.

Odeiam os que não amaram nosso amor,
nem outro nenhum amor, desventurados
como as cadeiras de um salão perdido,

até que em cinza se enredaram
e o rosto ameaçante que tiveram
se apagou no crepúsculo apagado."
(Soneto LXII, página 73)

Noite
"Amor meu, ao fechar esta porta noturna
te peço, amor, uma viagem por escuro recinto:
fecha teus sonhos, entra com teu céu em meus olhos,
estende-te em meu sangue como num amplo rio.

Adeus, adeus, cruel claridade que foi caindo
no saco de cada dia do passado,
adeus a cada raio de relógio ou laranja,
saúde, oh sombra, intermitente companheira!

Nesta nave ou água ou morte ou nova vida,
uma vez mais unidos, dormidos, ressurgidos,
somos o matrimônio da noite no sangue.

Não sei quem vive ou morre, quem repousa ou desperta,
mas é teu coração o que reparte
em meu peito os dons da aurora."
(Soneto LXXXII, página 96)

Sortuda era Matilde, à quem foi dedicado os mais belos sonetos de amor do poeta Neruda (:
E se eu for alvo de apenas um certo olhar deslumbrado a minha vida toda, homenageada por apenas um certo apaixonado durante toda a vida, serei então ainda mais sortuda que ela e - como acontece hoje - terei vontade de admirar somente aquele homem magnificamente exato. Cuja beleza ofusca até aquelas outras lindezas da natureza(que tanto me fascinam), cujo jeito sensualmente galante me atrai o olhar mais que qualquer outra formosura desta Terra. Esse certo alguém me traz tantas palavras que é mais sensato parar, ou se não estarei falando dele e não das poesias românticas que me repuxam um sorriso e fazem aparecer um brilhosinho nos olhos.

É a arte de poetizar: tudo aquilo que conhecemos - ou mesmo aqueles conhecimentos particulares - escrito com palavras e expressões de tão lindas fazem o que já era bonito parecer ainda melhor.
Deixo aqui, apenas três sonetos dentre os cem deleitantes sonetos de madeira de Neruda!

Repostando

Luz viajante

O Farol correndo pelo céu, iluminando-o, é uma das mais singelas belezas que pode-se ver. Qualquer um que pare, nessa nossa cidadezinha, e tenha a curiosidade de erguer os olhos para cima para deleitar-se com o véu azul e seus furinhos-estrelas e a lindíssima lua (magnifica em todas as suas fases), terá também o prazer de ver o farol passeando pelo céu.
Entretanto creio que, assim como é difícil hoje em dia ver alguém estar à admirar o céu, é ainda mais raro alguém admirar a simples luz do farol.
Mas eu sempre fui assim. Desde pequena me admiro facilmente com a mais singelas preciosidades. E nessa vida cada pequeno detalhe é precioso, eu acredito; cada repuxar que vai formando um sorriso bobo por um pensamento solto lhe faz notar a importância de certas pessoas, certos momentos e certos tesouros. Tesouros não como os dos piratas, reis e dragões mas sim como as flores ou o firmamento de um azul profundo cheio de estrelas brilhantes, o arco-íris em meio aquelas nuvens que quando precipitam deixam a terra com cheirinho de chuva, o sorriso feliz da pessoa amada e todas essas coisinhas que podem parecer a maior besteira para todo mundo mas que ao menos para mim são acontecimentos fascinantes.
E é por ser para mim fascinante essas minucias que estou aqui, a escrever algumas palavras sobre minhas bobagens.
Acho deliciosa a sensação de olhar o céu... ficar observando as nuvens se movimentarem levemente na imensidão negra fazendo parecer que na verdade são os astros que estão caminhando de um lado para o outro. Enquanto as nuvens se movimentam devagarzinho pelo céu, aquele feixe de luz azul ilumina de um canto a outro; dias em que chove o feixe de luz azul ilumina a negritude que recobre o firmamento e após alguns instantes está iluminando também parte de algumas nuvens e no seu vaivém chega um momento que percorre apenas nuvens... e depois cai a chuva e molha a terra, esfria o ar e traz aquele aroma gostoso de terra molhada.
Fico imaginando aquela torre imensa com uma luz fortíssima que movimenta-se de um lado pra o outro, enquanto pinta o céu com sua tonalidade. As nuvens em meio a sua dança vagarosa faz lembrar o mar, quando está calmo e as ondas vem e "quebram", jogando pingos de água salgada no ar e fazendo aquela espuma branquinha; quando se agitam também remetem ao mar revolto, quando é ainda mais necessário a presença da luz viajante do farol para guiar os marinheiros à chegar em um lugar seguro - ao menos seguro da ira do mar.
Sempre achei deslumbrante a luz do farol correndo pelo céu, deixando rastros de luz azul pelo horizonte...
É só. Vim aqui para falar apenas de um farol e sua luz corredora. São apenas palavras descrevendo um fenômeno totalmente trivial que pode ser maravilhoso aos olhos daqueles que aprenderam a arte de ser feliz.

[...] "quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim."
Cecília Meireles

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

(In)Esperado

Estou tentando me acostumar com sua ausência, fugir de momentos e lugares que me fazem pensar em você... entretanto parece que tudo faz lembrar você e sentir falta daqueles sorrisos fora de hora que surgem só por sua imagem e atos terem vindo a mente. Tantas cócegas que faltava ar de tanto rir, danças com dedos-bonecos para me fazer sorrir não importando o que estivesse interrompendo meu sorriso gigante de aparecer, aquelas discussões bobas sobre alguma besteira qualquer que me faziam ficar emburrada até você vir com seu sorriso e me puxar para mais perto, todas aquelas maluquices tão somente nossas... Esta aí um alguém que tem o dom de me fazer sor-rir.
É, eu não sei me acostumar com sua ausência e tento trancar minhas lágrimas idiotas nas profundezas de meu ser, mas perco o controle sobre ela sempre que o telefone toca porque estou atenta nele, esperando uma mensagem ou ligação (in)esperada... mas só as pessoas erradas estão atendendo esse desejo de fazer acender a luz do telefone e acelerar o coração; mas quando olho: pessoa errada, principalmente as malditas mensagens de operadora que teimam em me passar a perna várias vezes. E esse acender de luzes, devido a pessoas inexatas à minha vontade me provocam um turbilhão de emoções que transbordam de meu corpo em forma de lágrimas.
Se estou tentando fugir do que era "nós" então porque, pergunto-me, estou aqui no lugar onde esperava sua chegada, onde nos amávamos e você, com seu dom, me fazia rir até as bochechas doerem e sorrir até os olhos?
Estou aqui, respondo-me, nesse lugar que faz lembrar felicidade em forma de amor pois sem dúvida alguma estou esperando uma visita (in)esperada que me fará ver as estrelas no céu e o sol nascer assim que você sorri para mim.
Tal visita não precisa vir acompanhada nem de flores, nem de nada dessas coisas que as pessoas levam quando vão pedir desculpas ou voltar atrás em algo que foi dito. As únicas coisas que são imprescindíveis haver é você, com suas palavras doces, sorriso contagiante e abraço acolhedor... e as suas mãos afáveis , que sempre enxugam as lágrimas - que todas as coisas essenciais citadas anteriormente - despertam em mim durante as reconciliações.
Acho que é bobagem achar, mas achei que você esperava que eu fizesse algo hoje, quando contrariando a tentativa de fuga eu me aventurei a ir a um lugar onde sabia que você estaria. Mas eu estava amedrontada e ainda estou; não tive coragem nem de fitá-lo por um minuto sequer... então fiquei lá, com as mãos nervosas remexendo em algo, o coração a mil, a mente, totalmente dispersa das conversas que estavam sendo proferidas, tentava controlar com toda sua força a tempestade de lágrimas que ousava cair. Senti seu olhar sobre mim, mas eu sabia que se olhasse perderia o controle sobre a tempestade porque você me desconcentra, me faz perder a linha do raciocínio apenas com um olhar. E teimosa como sou, levantava o olhar por poucos segundos e o seu estava fitando meu e novamente abaixava a cabeça rapidamente antes que a tempestade fugisse do controle e caísse. Então, você foi embora. Recolhi-me a um canto qualquer, e deixei que lágrimas silenciosas caíssem, depois se transformaram em lágrimas que praguejavam por estar naquela situação e na verdade o sentido implícito em todas elas era o pedido de que você voltasse e batesse a porta, e estivesse segurando a reconciliação pronta para colocá-la em ação e deixar tudo bem, sua lady protegida pelo belíssimo lord.
O céu está dando voltas em um azul mais profundo, pensar em você dizendo adeus me faz querer chorar. E eu sei que eu sou chorona, boba, mas eu amo você e você sabe que eu tenho pensando em você. E o que me impede de fazer algo não é orgulho, é medo.
E eu não quero escrever e me deixar frágil à todos os que pararem para ler, mas eu tenho que descarregar e essa é minha mais constante forma de fazer isso.
E é o amor, a tristeza e devaneios que me fazem escrever na maior parte das vezes... pois afinal Eros é a força que move a mente de muitos poetas. Ainda sou abalada por esse eterno jovem cupido.
Chega de fragilizar-me diante de olhos alheios; as palavras costumam se voltar contra você mais tarde. Por isso me deixo calar e nessa outra noite de céu de azul mais profundo novamente o único sentido que ficará realmente ativo é aquele que uso para ouvir musicas tocando, com letras lindas: rock's simplesmente inspiradores. É, agora essa é uma outra forma de descarga, horas ouvindo rock.

Don't go away Jean, don't you leave baby 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A luz dos olhos meus na luz dos olhos teus

Quando a luz dos olhos meus e a luz dos olhos teus resolvem se encontrar...

Dá-me um arrepio, o coração acelera, borboletas voam no estômago, um sorriso chega aos olhos, fico tão radiante com sua presença que poderia competir com o sol e ele veria que a minha felicidade transborda ainda mais que a luz dele... É incrível como uma pessoa pode proporcionar-me tamanha felicidade.
Devo admitir que essa felicidade não se resume apenas àqueles momentos em que os olhos teus fitam os olhos meus, e o seu sorriso sorri para o meu, e seu corpo abraça o meu corpo. Essa luz dos meus olhos sorridentes aparece só de pensar em ti, em cada palavra doce, em cada gesto cuidadoso, em cada olhar apaixonante...
Fico temerosa de parecer presunçosa ao falar tais detalhes, típicos de quem ama, e também ao dizer que eu acredito que você me ama. Mas esse carinho, esse cuidado que tens por mim me levam a crer nisso e sinto que tenho uma sorte imensa de tê-lo conquistado de tal modo e ainda mais sorte por tê-lo comigo.
Ao longo do dia é comum uns cantinhos dos lábios subirem e um sorrisinho bobo e apaixonado surgir desse repuxar; esse leve movimento é o primeiro indício de que a minha mente está longe, em algum momento do passado onde nós estamos juntos. Se não isto, estou é em meio a algum devaneio e novamente a minha mente está pensando em nós dois juntos. Por vezes, nesses devaneios, acabo estando não apenas com você, pois há entre nós uns baixinhos, com cachinhos... pode ser que tenha seus olhos ou talvez tenha herdado mesmo o meu sorriso gigante, no entanto aquelas criancinhas barulhentas dos meus devaneios sempre tem um traço seu e um outro meu e nós estamos sorrindo um para o outro enquanto o resto da atenção tem de estar voltado para aquelas crianças peraltas.
Então, de repente sou tirada daquele sonho bom por um ou outro som externo e volto à realidade.
E olho para o lindo azul que pinta o céu e me lembro de você, pois o céu é azul. Olho para as estrelas e lembro de ti, pois as estrelas são brilhantes. E a lua, então, sempre me traz a mente a sua imagem, pois é magnificamente linda.
Eu desejo-te tanto quanto a chama do fogo mais intenso e o amor que sinto por ti é indescritível; o máximo que consigo expressar é que este amor que reside aqui é um sentimento imensurável.
É tal sentimento que faz minha mente viajar para um tempo-lugar onde estou com você.

A luz dos olhos meus já não pode esperar, quero a luz dos olhos meus na luz dos olhos teus...

E todos os dias a vontade de ver-te, e ter você por perto aumenta ainda mais! Torna-se profundamente precioso o tempo contigo e quando está longe espero ansiosa que volte para mim. Há momentos que não consigo conter e acabo por denunciar a saudade, saudade esta que aumenta a cada minuto e me faz querer-te perto.
Sinto que você é a pessoa certa para mim. A pessoa certa. O homem em quem posso confiar.
E esta minha metade que teima em acreditar que os alemães é que tinham razão e provoca longos debates para no final continuarmos com nossas opiniões que mais tarde tornam a trazer novos debates; que me acha boba quando digo que um livro ou um filme ou uma música me emociona, e por vezes  me faz chorar, e certos capítulos me fazem gargalhar alto, com meu riso estranho.
Esta minha metade - que me completa, e é em tantos detalhes tão diferente de mim e é em tantos outros tão semelhante, que meu coração escolheu para apaixonar-se e eu ousei escolhe-lo para amar. Aquela parte inconsciente que se apaixona, se apaixonou; e aquela outra parte, sendo esta consciente, escolheu amá-lo; e sou feliz amando você e este amor é incondicional e será infinito.
E daqui a algumas horas, quando o hoje virar ontem e o amanhã ser o novo hoje, serão nove meses juntos. E não sei se já expressei o quão feliz estou por tê-lo comigo tanto tempo e desejo que passemos ainda mais tempo juntos! De novembro a novembro, até o mundo acabar!
Já são palavras demais amontoadas no que seria apenas um pequeno texto, então vou deixando-me calar... afinal, se não me parasse ficaria ainda mais dias aqui, escrevendo sem parar sobre um amor que é inefável.
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Soneto do Amor Total, Vinicius de Moraes.

O meu héroi

Acho tão clichê, estão todos escrevendo sobre isso e eu não gosto de clichês. Mas certas vezes tenho que ser clichê, por mais que não goste disso.
No entanto, essa pessoa sobre a qual escrevo merece a minha fuga do "não ser clichê".
Desde que era uma sementinha ele já zelava por mim; estava longe, pois assim precisou estar. Mas estava lá longe preocupado comigo porque estava tentando trazer apenas o melhor para mim, como faz até hoje. E em todos os momentos em que precisou ausentar-se estava cuidando desse colibri teimoso, que tantas vezes lhe foge das mãos se esperneando.
E eu sou assim teimosa, viajante, que bate as asas rapidamente e se afasta, no entanto assim como as borboletas sempre voltam aos jardins, os colibris também. É nesse jardim, de carinho e conhecimento, que provo do melhor néctar e hei de voltar todas as vezes, pois esse ninho é o refúgio que sempre terá as portas abertas para mim e para o qual devo minha total gratidão por ser quem eu sou.
Afinal se fosse eu de outra família qualquer, com um pai qualquer e uma mãe qualquer, eu, provavelmente, não amaria livros, não prezaria o conhecimento, não teria os horizontes abertos.

Eu agradeço, papa, por ter sido meu guia, meu professor, mentor, protetor, o guardião de limiares, meu pai, meu herói e ter me preparado para voar para longe do ninho e mesmo assim manter tudo que cultivou em mim sempre aceso.
Você foi para mim, como o Pequeno Príncipe foi para a Rosa; Que por mais vaidosa e orgulhosa que fosse, mesmo assim não deixou de ter toda a atenção do principezinho, que com sua preocupação cuidou dela e protegeu do mundo. E você é para mim, como a Rosa é para o príncipe, único. Nos cultivamos mutuamente, todos os dias e além de protetor é um amigo.
Não me importa se existe por ai afora um pai que seja considerado melhor por quem quer que seja, para mim você é o melhor pai do mundo, que saí todos os dias e enfrenta o perigo e depois volta e me traz um sorriso.
Provavelmente não sou a melhor filha, eu sou teimosa, chata, e por vezes emburrada. Não demonstro - como deveria - todos os dias o meu amor e minha gratidão a ti; no entanto desejo imensamente tornar-me, um dia, motivo de orgulho. E quando chegar ao dia em que irei me formar, a maior parte dos meus agradecimentos será para você. Ainda quando estava naquela fase profissional-camaleão em que certo período queria ser psicologa, em outro juíza, legista, historiadora, bióloga e tantas outras profissões que já quis ser, você permaneceu ao meu lado, rindo as vezes das profissões que me chegavam a mente e mesmo assim não deixou de me apoiar, só me avisava que independente da escolha era preciso estudar. E agora, continua a me dizer o mesmo.
Para mim vai ser fantástico saber que meu pai parou para falar para um amigo que tem orgulho de mim, da sua Aline, que se formou em medicina, uma das mais jovens da turma. Será realidade, vou me esforçar para ser.
São inesquecíveis aquelas horas em frente a tv, ora assistindo Lost, ora assistindo Brumas de Avallon, só eu e você. Ou mesmo quando você atrasado e ainda assim parava para ouvir o relato do livro que eu estava lendo, que de tão empolgada acabava dando spoiler.
Muito que já passou, e ainda há muito por vir, e independente de tudo eu irei amá-lo como sempre amei. Mesmo com todas as minhas chatices, reside aqui a sua menininha chata, o seu pequeno colibri que enche-se de orgulho ao falar de você, que mesmo quando as vezes é chato em situações bobas, assim está sendo para me proteger.
Devo confessar, mesmo que meu orgulho tente me fazer não dize-lo, que me veio umas lágrimas aos olhos enquanto escrevia...
Eu te amo papa!


terça-feira, 3 de julho de 2012

Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro

Assim define-se um dia bom: um friozinho gostoso adentra no quarto, as nuvens tomam o céu e o deixam de um tom de neve reluzente... Como sei  que assemelha-se a neve, mesmo jamais tendo visto os flocos alvíssimos caindo? Sei que é assim, respondo-lhe, pois é como imagino... Imagino-me em um lugar frio, com um casaco volumoso e quente, luvas nas mãos, uma echarpe enrolada ao pescoço, e um vestido florido de tecido leve no qual congelaria não fosse o casaco e a meia-calça; em volta os flocos precipitavam-se dos céus, deixando meu agasalho coberto de flocos brancos e tudo em volta: o céu, o chão tudo cobria-se com flocos branquinhos, o moinho também tinha partes cobertas de neve e as árvores também serviam de estação de pouso para a neve.
É assim que imagino, então sei que a neve é alvíssima e o meu céu de dia frio é de um tom cor de neve. Aqui é um lugar tropical, então não há neve, mas chove bastante em meses frios e a chuva deixa tudo reluzindo com a luz do sol que vem de trás das nuvens... telhados alaranjados tem um aspecto molhado e refletem os raios solares, o asfalto em um pedaço da rua e os paralelepípedos em outro pedaço ficam molhados e de um tom um pouco mais escuro.
Do meu quarto, enrolada em um lençol quentinho e carmesim, vejo os pingos de chuva precipitando-se e ouço o canto dos colibris que vem tomar néctar (preparado por mim mesma) na minha varanda; ao ouvi-los viro-me lentamente para não assustá-los, e olho pela minha janela e os vejo voando e brincando no ar. Com aquelas asas velozes não pousam um segundo sequer, ficam parados no mesmo lugar em pleno voo e, de quando em quando, descansam pousados no lugar onde fica o néctar e bebericam ali; e tão logo já sumiram de vista e estão do outro lado da rua, pousados nos fios de eletricidade.
Nesses momentos, em que paro para admirar os colibris, distraio-me de Angústia e deleito-me com a beleza deles; mas tão logo a ânsia de saber de seu Luís da Silva volta e eu recomeço a devorar o livro que estava em meu colo. Da-me uma coisa, não sei descrever, mas sei que é boa a coisa. É como uma euforia quando ouço o poeta falar na Rua do Sol, Rua do Comércio, Martírios e quando citou o nome da minha cidade eu li pausadamente "Maceió" e me deu um orgulho... Graciliano, o grande Graciliano Ramos, escreveu uma história que se passa em minha cidade!
E aquela euforia dentro de mim ao ler cada palavra que o Grande escreveu em minha cidade se remexia e escapava na forma de riso e sorrisos e ao falar aquelas expressões tão nordestinas voltava a euforia e eu ria! Caldo de cana com pastel, e não é que os maceioenses param para lanchar isso até hoje!
É uma leitura gostosa! E se fosse por mim iria ler pedaços que gostei para alguém que gosto e acabaria lendo o livro inteiro pois de tão bom gostei de todas as partes que li até agora.
Esse dia frio, no meu cantinho do aconchego é um ótimo lugar para ler um livro.É um ótimo também para tirar um cochilo... E um dia melhor ainda para ficar agarradinha com quem se ama.
Só há um porém no entanto, o meu amor não está aqui. Estou com o pensamento nele, desejando seu corpo quente abraçando-me, ouvir aquela voz chamando-me carinhosamente para mais perto dele, aquelas arengas bobas tipicas de quem ama; mas ele está longe, está trabalhando, e com certeza está com o pensamento longe, bem distante de mim, com tantas coisas para fazer no trabalho. Será que pensa em mim enquanto está amontoado de coisas a fazer?
Não sei e nem vou saber, pois não há nessa terra quem leia pensamentos. E pensando assim, continuo lá à imaginá-lo, e me imaginar com ele, e imaginar nós, e imaginar o nosso futuro... E ai então, depois de tanto devanear, volto para minha leitura, já que hoje é um dia bom para ler um livro e o meu amor não está comigo, está é longe, talvez até nem pensando em mim.
E continuo a ler, deleitando-me com aquela gostosa leitura e aquela euforia ao ler o poeta escrever sobre costumes e lugares que conheço tão bem. Estava rindo com o livro, quando as letras foram embaçando e o sono pegou-me e levou-me para um sonho bom com o meu amor pertinho; um cochilo no meio da tarde, agarrada com o livro e enroladinha no lençol carmesim.

sábado, 9 de junho de 2012

23h e alguns minutos...
Ele estava bravo e chateado e estava indo embora, tentei impedi-lo e esbravejou que não o segurasse.
Queria gritar, queria - novamente - segurá-lo e impedi-lo de ir, queria chorar, queria fazer algo... Mas isso só iria irritá-lo ainda mais e isso era o que eu menos desejava naquele momento, não fosse isso chamaria a atenção de todos menos de quem eu desejava chamar.
E então segurei seu braço e ele novamente disse que não o tentasse...
Descalça na calçada molhada, o vi partir. E me senti inútil, idiota, impotente... e lá fiquei, odiando-me por isso e fiquei olhando enquanto ele se distanciava mais e mais até que sumiu de vista.
E mesmo já não o vendo mais continuei lá, olhando, esperando... talvez que ele voltasse.
E esperei, esperei e esperei...
Não voltou.
Mais alguns minutos ali e então entrei e nem ao menos subi as escadas, sentei-me e mais uma vez odiei-me...
E depois sai novamente e fiquei lá olhando para o horizonte.
Então depois de mais alguns minutos ali, estupidamente parada na calçada... Entrei e subi as escadas.
Peguei o celular, decidida a ligar, digitei várias vezes o número e quase liguei, mas todas as vezes desisti. Já era meia noite e meia e eu ali, olhos marejados, cabeça latejando, ouvindo musicas românticas, musicas tristes e encolhida, com frio, desolada.
E lá pela uma da madrugada decidi que ligaria, mas pensei que talvez já estivesse dormindo, não queria acordá-lo e novamente desisti.
Quase duas e eu novamente tentei ligar e desisti.
E com o número lá, esperando que apertasse o botão verde para ligar, deixei que os olhos ainda marejados se fechassem ao som daquelas melodias lindas mas tristes pelo fato de que estava ali sozinha, totalmente só.
E a noite foi perturbada, acordei várias vezes e olhava o celular, esperando um sms, uma ligação quem sabe, mas nada...
E pensava em ligar e acordá-lo e dizer para ele que... que eu estava ali, acordada, olhando pro telefone, e não estava conseguindo descansar direito porque o coração estava apertado, a garganta tinha dado um nó e os olhos sempre marejavam ao pensar que aquele que mais amo, nesse momento está me odiando, provavelmente.
Três, quatro, cinco da madrugada... e então o resto da manhã o cansaço pegou-me e os olhos fecharam-se.
E ao acordar, ia ligar, mas pensei que talvez ainda estivesse dormindo. E meio dia, pensei que talvez estivesse almoçando. E agora não tenho mais desculpas para esconder o meu medo de ligar...
E porque não ligo? Medo de não atender, de ainda estar bravo, de piorar tudo, de... não sei. Mas tenho medo e esse medo não me deixa discar o número que já foi tantas vezes digitado, principalmente de ontem para hoje, nessas tentativas de buscar coragem e discar.
Não há sms, nem ligação e eu estou aqui esperando, buscando coragem para ligar...

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Furto de Ideias

Em geral, o texto de um poeta não é apenas uma ideia... O texto, as palavras, cada paragrafo traz emoções, traz revelações, desabafos, trazem o próprio poeta. Mesmo que embaixo de uma cortina de metáforas, há um pouco do que ele sente ali.
Às vezes são palavras que ele precisa soltar de si para o mundo, e o faz, no entanto sua alma poética o inspira a dizer em palavras mais ambíguas; para disfarçar a mensagem ou simplesmente poetizar.
E então ao invés de simplesmente a ideia ser escrita no papel, e as palavras lançadas ao vento para quem estiver interessado em ouvir; as palavras mesmas viram seus meios de transporte, são borboletas, colibris, falcões que voam para levar a mensagem, ou mesmo velozes corcéis, leões, gatos que agilmente correm por aí a fora carregando o que o autor quis dizer; peixes, águas-vivas, que espalham aquela ideia mundo a fora, pela correnteza; transformam-se em estrelas, cometas, planetas, que no céu brilham esperando que um observador atento olhe e veja a ideia e seu autor.
E cada forma que esta mensagem assume para transportar a mensagem traz gravada em si o nome do autor, o criador, a mãe dessa jovem ideia. E quando um alguém qualquer chega e continua a passar à frente a ideia sem dizer o autor, o pensador que a criou é como se deixasse órfã a obra.
E não apenas, pois é como se estivesse furtando também o sentimento, o desabafo do autor.
Eu, como escritora, tenho orgulho quando sei que minha idealização fez leitores se identificarem; mas eu, também como escritora, sei como é ruim saber que a inspiração, a emoção que fez dar a luz uma obra é tirada de mim, é espalhada por ai como se um "autor desconhecido" a houvesse criado, ou mesmo com o nome de outro alguém; principalmente quando quem repassou sabe quem criou.
Acredito que digo não apenas por mim.

Deixe que essas borboletas, corcéis, peixes e estrelas chamem a atenção de cada observador, se você ouvir e impressionar-se, identificar-se não deixe de dizer que também sente aquilo, que também pensa daquele jeito, mas não deixe órfã ideia de pensador algum!